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Bullying e sua origem no Ambiente Escolar

RESUMO

No presente trabalho buscou-se apresentar uma revisão bibliográfica sobre a origem e ocorrência do fenômeno bullying no ambiente escolar, verificando os efeitos que ele pode causar na vida do indivíduo. Partindo do pressuposto de que a escola é uma instituição de ensino e deve zelar para que o ensino possa ser transmitido em um ambiente seguro e saudável. Com base na grande proporção em que ocorre o bullying durante a vida escolar de inúmeros indivíduos, veio a necessidade de realizar uma pesquisa bibliográfica sobre este tema, pois o mesmo se apresenta na atualidade como um tema muito importante, despertando a atenção da sociedade em geral para suas consequências e, acima de tudo dos profissionais da área educacional. Diante da situação, este artigo possui como objetivo, conscientizar aos pais, professores e demais profissionais da educação sobre a importância da construção de ações preventivas, diagnósticos e de atuação á comportamentos de bullying nas escolas, transformando atitudes agressivas em companheirismo e solidariedade, respeito e amizade. Além de orientar o mesmo quanto ao enfrentamento a esta violência, habilitando os agressores a uma convivência social sadia e segura.

Palavras-chave: Bullying, Violência Escolar, Vítima, Agressor; Espectador.

[1]

 

Introdução

Se voltar a atenção sobre a escola, enquanto instituição social que ao passo que influencia também é influenciada pela sociedade, não pode desprezar o contexto histórico, político e cultural que a mesma está inserida, fatores como a globalização, desigualdade social, novas concepções sobre conceito de família, pois tais fatores refletirão expressivamente na escola.

Em todo o mundo tem aumentado assustadoramente a violência nas últimas décadas. Sendo um dos principais e mais complexos problemas a serem superados por todos nós, principalmente educadores uma vez que tem aumentado o índice de violência no ambiente escolar.

A violência escolar é um fato tão antigo quanto à própria escola. Tem sua origem tanto da violência que se espalha como uma praga na sociedade e que, por sua vez, acaba contaminando as instituições escolares sejam elas públicas ou privadas, como também pode ser originado por fatores internos, ou seja, nascer dentro do próprio ambiente pedagógico a partir da relação entre os sujeitos.

As agressões entre estudantes sendo ela física ou moral recebem o nome de bullying, forma de violência bem inerente que vem ganhando um expressivo espaço nos debates educacionais como também vem sendo expressivamente veiculada nos meios de comunicação nos últimos anos.

Com base na grande proporção em que ocorre o bullying durante a vida escolar de inúmeros indivíduos, veio a necessidade de realizar uma pesquisa bibliográfica sobre este tema, pois o mesmo se apresenta na atualidade como um tema muito importante, despertando a atenção da sociedade em geral para suas consequências e, acima de tudo dos profissionais da área educacional.

Pretende se neste trabalho identificar a origem da violência na escola, investigar o papel do educador para lidar com alunos que sofrem e que praticam o bullying. Visto que esta forma de violência é difícil de ser identificada, uma vez que a vítima teme delatar os seus agressores, seja pela vergonha que irá passar diante dos demais amigos de classe, por medo de sofrer represálias, seja por acreditar que os professores ou seus próprios pais não lhe darão o devido crédito. Outro aspecto interessante é o fato de alguns professores acreditarem que tais agressões são apenas brincadeiras de crianças e que irão passar com o tempo, atitude essa que faz crescer mais ainda a violência nas escolas e banaliza o sofrimento as vítimas.

A partir do exposto acima decidiu se investigar que efeito o bullying poderia causar na vida do indivíduo, desenvolvendo o assunto de forma clara e explicativa para que a sociedade e educadores tomem ciência da importância do fenômeno bullying nas relações entre crianças e adolescentes, como estimulador de agressões físicas ou verbais.

A escolha do tema surge principalmente por questões pessoais suscitadas a partir de lembranças do tempo de infância e da indignação pela percepção do descaso que havia por parte dos responsáveis em relação a essa problemática.

Por se tratar de uma forma de violência, e sendo um dos principais problemas a ser combatido no século XX, este fenômeno apresenta se como um dos principais motivos de preocupação para a sociedade em geral e, principalmente para a educação, pelas suas características. A principal e mais grave consequência ocasionada pelo bullying é a capacidade de gerar danos de ordem emocional, psicológica e sócio educacional. As consequências provocadas pelo bullying geram, por vezes, danos e traumas irreparáveis na vida da criança. Podendo refletir desde logo, como por exemplo, baixa autoestima, estresse, depressão, queda no rendimento escolar, pensamentos de vingança para com o agressor e até mesmo suicídio.

 

Tipos de Bullying

O bullying de acordo com Gabriel Chalita pode ser dividido de forma direta ou indireta. A forma direta é utilizada com maior frequência entre agressores meninos. E as atitudes mais usadas pelos bullies são os insultos, xingamentos, apelidos ofensivos por um período prolongado, comentários racistas, agressões físicas, empurrões, tapas, chutes, roubo, extorsão de dinheiro, estragar objetos dos colegas e obrigar a realização de atividades servis.

A indireta, por sua vez, é mais comum entre o sexo feminino tendo como características atitudes que levam a vítima ao isolamento social, podendo acarretar maiores prejuízos, visto que pode gerar traumas irreversíveis ao agredido. O bullying indireto compreende atitudes de difamação, realização de fofocas e boatos cruéis, intrigas, rumores degradantes sobre a vítima e seus familiares e atitudes de indiferença.

 

Protagonistas do bullying

Fante prevê que os protagonistas envolvidos na prática do bullying podem ser divididos da seguinte maneira: Agressor, Vitima e Espectador.

Agressores ou bullies: são os ditos populares, vitimam os mais fracos conseguindo, muitas vezes, o auxílio dos demais alunos para se auto afirmarem. Vale dizer que tais alunos que contribuem juntamente com o agressor para a prática de violência, também são considerados bullies.

Para manter sua popularidade acabam humilhando, ridicularizando e hostilizando a vítima sem motivos evidentes, sendo considerados por tais comportamentos como valentões. A conduta do agressor, normalmente, caracteriza-se pela dominação e imposição mediante o poder e a ameaça para conseguir aquilo que almeja. Pertence a famílias, por vezes, em que há ausência de carinho, dialogo, presença dos pais e limites.

Os bullies geralmente, se envolvem em situações antissociais e de risco, quais sejam: roubo, drogas, álcool, tabaco, vandalismo e brigas. Importante mencionar que tais autores sentem dificuldades em aceitar as normas que lhe são impostas; não aceitam ser contrariadas, não toleram atrasos, são maus-caracteres; tem como características a impulsividade, a irritabilidade e baixa resistência a frustrações.

Em relação a vítima, Silva aponta 3 (três) tipos, que serão mencionados a seguir:

Vítima típica:

É pouco sociável, sofre repetidamente as consequências dos comportamentos agressivos de outros, possui aspecto físico frágil, coordenação motora deficiente, extrema sensibilidade, timidez, passividade, submissão, insegurança, baixa autoestima, alguma dificuldade de aprendizado, ansiedade e aspectos depressivos. Sente dificuldade de impor-se ao grupo, tanto física quanto verbalmente.

Vitima provocadora:

Refere-se àquela que atrai e provoca reações agressivas contra os quais não consegue lidar. Tenta brigar ou responder quando é atacada ou insultada, mas obtém bons resultados. Pode ser hiperativa, inquieta, dispersiva e ofensora. É de modo geral, tola, imatura, de costumes irritantes e quase sempre é responsável por causar tensões no ambiente em que se encontra.

Vitima Agressora:

Reproduz os maus-tratos sofridos. Como forma de compensação procura outra vítima mais frágil e comete contra esta todas as agressões sofridas na escola, ou em casa, transformando o bullying em ciclo vicioso

Espectadores ou Testemunhas: também figuram como personagens de tal fenômeno, entretanto, são assim chamados por apenas assistirem a pratica da violência e não se manifestarem quer seja, para interferir na defesa da vítima ou para denunciar o feito. Simplesmente se mantêm inertes. Esse posicionamento, normalmente, é adotado por medo de serem a próxima vítima.

De acordo com Chalita, os espectadores ‘’[...] aprendem a ser omissos e passivos para se defender [...]. O medo em delatar o agressor ou defender a vítima, podendo transforma na vida adulta em cidadãos egoístas, que aceitam e até mesmo legitimam as injustiças sociais.

A propagação da violência no ambiente escolar é um fato tão antigo quanto a própria escola. Essas problemáticas além de constituir um relevante tema de reflexão nas discussões, principalmente na área educacional, apresentam se, sobretudo, como um grande transtorno para todos os segmentos da sociedade.

Os primeiros estudos sobre violência na escola surgem na década de 1950 nos Estados Unidos, desde então a situação parece ter se agravado gradativamente. Novos fatores foram sendo incorporados ao ambiente escolar como, por exemplo, as drogas, as armas, sobretudo as de fogo, ou seja, a escola deixa de ser um lugar seguro, protegido da violência que assola principalmente os grandes centros (LUCINDA, NASCIMENTO e CARDAN, 2001).

Lucinda, Nascimento e Cardan (2001) afirmam que embora a violência apresente-se como um fenômeno que não é recente, os estudos no Brasil ainda são bastante incipientes. Somente a partir da década de 1990 começa a surgir interesse por esta temática, um atraso de cerca de quarenta anos em relação aos países da Europa e os Estados Unidos, que foram os pioneiros.

O próprio passar dos anos fez com que o conceito de violência se modificasse. Atualmente este fenômeno é entendido de maneira mais global, levando em consideração diversos fatores como a globalização, desigualdade social, família, educação e etc. (ABRAMOVAY e RUA, 2003).

Debarbieux (2002) acrescenta que a violência escolar inclui tanto os atos de delinquência que estão sujeitos a punição, quantos aqueles que muitas vezes não são levados em consideração por serem mais sutis e não se enquadrarem nas leis. A vítima é que vai indicar o que é violência ou não, que pode ser tanto física como psicológica.

 

Justificativa

Diante da situação, este artigo possui como objetivo, conscientizar aos pais, professores e demais profissionais da educação sobre a importância da construção de ações preventivas, diagnosticas e de atuação á comportamentos de bullying nas escolas, transformando atitudes agressivas em companheirismo e solidariedade, respeito e amizade. Além de orientar os mesmos quanto ao enfrentamento a esta violência, habilitando os agressores a uma convivência social sadia e segura.

Nas últimas duas décadas as violências aluno/aluno, dentre as quais se destaca o bullying tem se tornado o foco privilegiado das análises e motivo de preocupação de educadores, profissionais da saúde e principalmente pais de crianças e adolescentes. Este fenômeno peculiar é uma forma de violência sutil, que muitas vezes passa despercebida, já que geralmente não deixa marcas físicas nas suas vítimas. Hoje em dia sabe-se, porém, que suas consequências são desastrosas para o psiquismo do indivíduo, muitas vezes tão prejudicial quanto à própria violência física que historicamente sempre foi mais abordada.

Fante afirma que as consequências da prática do bullying afetam todos os protagonistas do fenômeno, acarretando problemas físicos, emocionais de curto e longo prazo. Oportuno mencionar que tais consequências podem se estender e trazer prejuízos no futuro, como por exemplo nas relações de trabalho, na constituição da família e na posterior criação dos filhos.

Crianças que são vítimas de bullying podem apresentar “explosões de cólera e episódios transitórios de paranoia ou psicose, comprometendo a regulagem da emoção e da memória”.

Levando em consideração a intensidade de adsorção do sofrimento vivenciado pela vítima em decorrência da conduta bullying, ela estará propensa a manifestar reações intrapsíquicas e extra psíquicas, apresentando sintomas de natureza psicossomática, tais como:

[...] enurece, taquicardia, sudorese, insônia, cefaleia, dor epigástrica, bloqueio dos pensamentos e raciocínio, ansiedade, estresse e depressão, pensamentos de vingança e suicídio, bem como reações extra psíquicas, expressas por agressividade, impulsividade, hiperatividade e abuso de substancias químicas.

Vale dizer que o fato de a criança não conseguir superar os traumas obtidos pelas agressões sofridas pode “acarretar problemas no desenvolvimento psíquico e comportamento, gerando insegurança e dificuldade em se relacionar com o outro”.

Desencadeiam, ainda, no processo educacional, alguns aspectos negativos, como, “queda do rendimento escolar, falta de interesse pelos estudos, absentismo, déficit de concentração e de aprendizagem, reprovação e evasão escolar”.

Fante (2005), Capucho e Marinho (2008) afirmam que não há dúvidas de que o bullying acontece na maioria das vezes no interior das escolas, mesmo assim, a pouca conscientização da ocorrência do fenômeno e a falta de preparo para lidar com essa forma particular de violência é alarmante.

Ao se tratar de pais e alunos a desinformação a respeito do fenômeno bullying é ainda maior, mostrando que mesmo estando presente na maior parte das escolas brasileiras, públicas ou particulares, nos mais diversos níveis de ensino, ainda é um fenômeno estranho a comunidade escolar em geral (CAPUCHO; MARINHO, 2008).

A palavra bullying tem origem na língua inglesa, é uma derivação do verbo bully, que significa utilizar a força física para amedrontar alguém. Utilizada como adjetivo pode ser traduzido como valentão ou tirano. É uma expressão que vem sendo usada em diversos países para expressar comportamentos agressivos, intencionais e constantes que ocorre na relação interpessoal entre escolares. Este termo classifica os comportamentos agressivos e antissociais, empregado nas pesquisas educacionais que tratam do problema da violência escolar (FANTE, 2005; SILVA, 2006).

Assim sendo por definição universal, bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (s), causando dor, angustia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuações de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-o a exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas manifestações do comportamento bullying (FANTE, 2005, p. 28-29).

A prática do bullying entre os estudantes apresenta algumas características comuns. São comportamentos propositais e danosos, que acontecem com determinada frequência contra uma mesma vitima ou grupo e sem uma motivação aparente. Geralmente se estabelece uma relação desigual de poder o que impossibilita a defesa da vítima. Além disso, acontece de forma direta através das agressões físicas e verbais e de forma indireta pela difamação do agredido (FANTE, 2005 apud SILVA, 2006, P. 3).

Em muitos casos, profissionais da educação e estudantes confirmam o acontecimento deste tipo especifico de violência na escola mais desconhecem o termo estrangeiro. Por não existir uma palavra ou expressão na língua portuguesa que dê conta de todo o conjunto de atitudes que caracterizam o bullying, convencionou-se o termo inglês.

O bullying é entendido como o processo que envolve todos os tipos de atitudes hostis, proposital e frequente praticado a nível individual ou grupal sem uma motivação especifica preconizado por uma relação de desigualdade entre agressores e vítimas, resultando na intimidação, mágoas e angústias para aqueles que são alvos (SILVA, 2008).

Silva (2006) e Silva (2008) estabelecem categorias com o intuito de enquadrar os protagonistas do fenômeno bullying: a vítima típica, que são aqueles estudantes mais introvertidos, passivos, que tem dificuldade de impor suas opiniões e geralmente são mais frágeis fisicamente; a vítima provocadora, que é aquela que provoca reações agressivas com que muitas vezes não consegue lidar; a vítima agressora, que desconta a violência sofrida num outro colega; o agressor, que pode ser do sexo masculino ou feminino, na maioria das vezes tem o poder da liderança, é violento e perverso, podendo agir sozinho ou em grupo e os espectadores, que são os estudantes que testemunham as agressões, participando indiretamente.

Atualmente é indiscutível o fato de que a violência pode ser banida ou pelo menos ter seus efeitos amenizados caso os seus condicionantes forem modificados. A educação embora sozinha não consiga dar conta desta tarefa, terá um papel fundamental para extinção ou não reprodução deste mal.

Para construir uma sociedade onde não haja lugar para a violência, é imprescindível que os órgãos competentes tenham um olhar mais sensível para o papel da educação, pois é nela que deve começar a construção da paz (FANTE, 2005).

Lopes Neto (2005) afirma que existem vários exemplos bem-sucedidos de iniciativas contra a violência em diferentes lugares do mundo, que vão desde programas de menor porte até as políticas de abrangência nacional.

Infelizmente a ausência de referências tem dificultado a educação do século XXI. Os pais estão cada vez mais ausentes e tem delegado somente a escola o papel de educar as crianças. Negligenciam ainda a educação emocional dos seus filhos e não estão habituados a utilizar o diálogo. A situação tem se agravado, já que muitas vezes a própria escola tem se mostrado ineficiente ao lidar com a afetividade. Desta forma, os estudantes acabam reproduzindo na escola a educação de casa (ou a falta dela) nas suas relações com os outros por meio da agressividade (SILVA, 2006; CHALITA, 2008).

Nesse contexto, Fante (2005) e Monteiro (2008) afirmam que a intervenção e prevenção do bullying numa determinada escola dependerão, essencialmente, da consciência da comunidade escolar sobre a existência do fenômeno e principalmente da relevância das consequências geradas pelo mesmo. O entendimento de que o bullying existe em maior ou em menor grau nas mais diversas realidades, independente da classe social ou rede de ensino e que ele é o gerador de outras formas de violência, será fundamental para o sucesso no combate a violência entre escolares. Ou seja, o primeiro passo a ser dado é o conhecimento ou a aceitação do problema.

É importante, ainda, que os educadores aprendam a lidar com suas emoções para assim se tornarem habilitados a lidar com as emoções de seus educandos, abordando em suas aulas o caráter afetivo. Dessa forma os profissionais da educação aprenderão a lidar com seus conflitos e com as mais variadas formas de violência, em especial o bullying (FANTE, 2005).

Silva (2006), Chalita (2008), Silva (2008) e Capucho e Marinho (2008) ratificam esta ideia, quando afirmam que uma educação que trabalha a afetividade é o caminho para a resolução desta problemática. Educação esta, que deve começar no seio familiar com a busca por uma relação afetuosa, tendo sempre como base da relação o diálogo, sobretudo na resolução dos conflitos interpessoais, procurando sempre a promoção do respeito mútuo entre todos. É imprescindível que a criança expresse seus sentimentos e angustias.

 

METODOLOGIA

Para elaboração do presente trabalho foi aplicada como metodologia a pesquisa bibliográfica. A coleta, análise e seleção do material bibliográfico, relacionado ao tema proposto, iniciaram a construção do artigo.

O estudo foi sustentado em pesquisa bibliográfica, buscando apontar caminhos para a construção da chamada cultura antibullying, a fim de contribuir com a formação docente para que se tornem mais atentos no diagnóstico e prevenção de possíveis agressões em sala de aula e fora dela. O tema é de preocupação no contexto escolar brasileiro e de outros países o que justifica conhecê-lo e se aprofundar sobre a questão ser uma forma de contribuir para sua prevenção.

O bullying na contemporaneidade expande-se velozmente, tornando - se mais conhecido pelos debates e reportagens realizados pela mídia, como a divulgação do massacre de Realengo no ano de 2011, no Rio de janeiro, quando o jovem Wellington Menezes de oliveira, entrou armado na escola onde estudou por anos, atirando contra todos, resultando na morte de 12 estudantes. O bullying, naquela situação em especifico pode ter motivado o atirador.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bullying se apresentou de forma natural e camuflada em nossas escolas. Com o crescente número de ações violentas no interior das mesmas, houve a necessidade de se investigar tal prática, analisando como ela se manifesta na sociedade e na escola, conhecendo suas características e seus personagens e ainda os fatores que favorecem sua ocorrência no âmbito escolar.

O bullying é um tipo de violência, apresentando – se em forma de agressões físicas, verbais, psicológicas contra o outro, geralmente sobre uma mesma pessoa, de maneira repetitiva, trazendo consequências graves e negativas na vida dos envolvidos, a exemplo do desenvolvimento de doenças decorrentes dessa prática, chegando a levar o atingido a um estado crítico e trágico, como a opção pelo suicídio ou assassinatos, bem como a reprodução dos atos sofridos na idade infanto-juvenil, prejudicando as relações afetivas e sociais.

O bullying não pode ser visto como um fenômeno natural. É uma questão social e, portanto, de gestão e responsabilidade do Estado.

Assim, faz – se necessário uma conscientização sobre essa problemática, envolvendo a família, a escola e o Estado, para que juntos promovam ações para seu enfrentamento, obtendo soluções de curto, médio e longo prazo, pois suas causas estão no modelo de sociedade que vivemos, provocando círculos viciosos entre as crianças, adolescentes e jovens.

É na escola que os sinais de bullying mais se manifestam e podem ser trabalhados, uma vez que é o espaço de aglomeração e diversidade. Destacamos que esta forma de violência é decorrente da maneira com que nossa sociedade está organizada, de suas relações individualistas, excludentes e competitivas, onde as pessoas na maioria das vezes só pensam em si e na satisfação de suas próprias necessidades, deixando de lado todo o vínculo afetivo, de fraternidade, amor ao próximo e intolerância ás diferenças, sentindo-se superiores ás demais pessoas, resultando em disputa de poder entre os indivíduos, refletindo na família, no trabalho e na escola.

Assim sendo, torna-se necessário o desenvolvimento de ações solidárias nas escolas, objetivando o resgate da cidadania, a tolerância, o respeito ao próximo e a consciência e valorização das individualidades, além de promover um ambiente que favoreça a melhora da autoestima do indivíduo. Se a escola investe na formação de pessoas melhores, consequentemente irá construir uma sociedade melhor (CHALITA, 2008; CLEMENTE, 2008).

Para o combate ao bullying, especificamente, as soluções não são simples. Por se tratar de uma forma complexa de violência e que envolve vários fatores, não existe uma maneira única de lidar com este problema, sendo necessário que cada escola desenvolva suas estratégias de acordo com cada caso particular. Sabe-se, porém, que a intervenção deve ser o mais rápido possível para obtenção de resultados melhores para todos, tendo em vista que os danos também estão relacionados com o tempo sofrido (LOPES NETO, 2005; SILVA, 2006; SILVA, 2008)

Por fim, espera-se que este estudo contribua como ferramenta para a diminuição das práticas de bullying dentro e fora do ambiente escolar, e que as ações preventivas de resgate e socialização dos envolvidos configurem-se em parte da agenda do Estado e das atribuições de ensino.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

ABROMOVAY, M; RUA, M.G. Violência nas escolas. Brasília: UNESCO, 2003.

CAPUCHO, V. A. C, MARINHO, G. C. Cyberbullying: uma nova modalidade de violência escolar. Construir notícias. Recife, ano. 7, p.14-18, mai-jun. 2008.

CHALITA, G. Bullying: o crime do desamor. Revista Profissão mestre. Ano.9, n.99. dez. 2007, In: Construir notícias. Recife, ano.7, n.40, p.8-9, mai-jun.2008.

CLEMENTE, A. Violência disfarçada. Construir notícias. Recife, no.7, n.40, p.14-18, mai-jun.2008.

DEBARBIEUX, E; BLAYA, C. Violência nas escolas: dez abordagens européias. Brasília: UNESCO, 2002.

DEBARBIEUX, E; BLAYA, C. Violência nas escolas e políticas públicas. Brasília: UNESCO, 2002.

FANTE, C. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas. 2. Ed. Campinas: Verus, 2005.

LOPES NETO AA. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. J Pediatr (Rio J). 2005; 81(5 Supl): S164-72.

LUCINDA, M.C; NASCIMENTO, M.G; CARDAN, V. Escola e violência. 2.ed. Rio de Janeiro: DP e A editora, 2001.

MONTEIRO, L. Perguntas e respostas sobre o Bullying. Disponível em HTTP://www.observatoriodainfancia.com.br/. Acesso em: 15 abril.2014.

SILVA, G.J. Bullying: quando a escola não é mais um paraíso. In: Mundo jovem: um jornal de idéias, Porto Alegre, ano.XLIV, n.364, p.2-3, mar.2006.

SILVA, Z. Diga não ao Bullying. Construir notícias. Recife, ano. 7,n.40, p.1,mai-jun.2008.

 


[1] Discente do Curso de Pós-Graduação Psicopedagogia Clínica e Educacional.

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