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aspas1 A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida. aspas2

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A importância do Psicopedagogo nos Anos Iniciais

RESUMO

O presente artigo aborda compreensões acerca A psicopedagogia nos anos iniciais tem  a finalidade de ajudar crianças e adolescentes a resolverem seus problemas na vida escolar. Além de orientar a criança o psicopedagogo institucional poderá orientar os pais que passam por problemas familiares. Os psicopedagogos são, portanto, profissionais preparados para a prevenção, diagnósticos e tratamento dos problemas de aprendizagem escolar. A psicopedagogia se ocupa de um sujeito que aprende assim como a psicanálise se ocupa de um sujeito que deseja e a epistemologia genética de um sujeito que conhece. A psicopedagogia implica,  também, uma metodologia específica de trabalho. Essa metodologia precisa levar em conta, necessariamente, o contexto em que se desenvolve a ação pedagógica: família, escola, comunidade. No caso da instituição de educação infantil, é preciso levar em conta não apenas as características dos educadores e da própria instituição.

Palavra – Chaves: Psicopedagogia; Educação; Profissional Psicopedagogo.

 

ABSTRACT

This article focuses on understanding the psychology in the early year’s aims to help children and adolescents to resolve their problems at school. In addition to guiding the child's institutional psychopedagogists can guide parents who go through family problems. The educational psychologists are therefore prepared professionals for prevention, diagnosis and treatment of learning problems in school. The psychology is concerned with a guy who learns just as psychoanalysis is concerned with a subject who desires and genetic epistemology of a knowing subject. The psychology also implies a specific methodology of work. This methodology has to consider necessarily the context in which it develops the pedagogical action: family, school, community. In the case of the imposition of early childhood education, we must take into account not only the characteristics of the educators and the institution itself.

Descriptors: Educational Psychology, Education, Vocational psychopedagogists.

 

 

1. INTRODUÇÃO

O psicopedagogo pode atuar em diversas áreas, de forma preventiva e terapêutica, para compreender os processos de desenvolvimento e das aprendizagens humanas, recorrendo a várias estratégias objetivando se ocupar dos problemas que podem surgir.

A psicopedagogo pode realizar uma prática docente, envolvendo a preparação de profissionais da educação, ou atuar dentro da própria escola. Na sua função preventiva, cabe ao psicopedagogo detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem; participar da dinâmica das relações da comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integração e troca; promover orientações metodológicas de acordo com as características dos indivíduos e grupos; realizar processo de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo. Desta forma, o psicopedagogo pode atuar tanto na Saúde como na Educação, já que o seu saber visa compreender as variadas dimensões da aprendizagem humana.

 

2. DESENVOLVIMENTO

A psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana e surgiu de uma demanda: o problema da aprendizagem. É uma ciência que se preocupa com os problemas de aprendizagem e o psicopedagogo é o profissional que deve ocupar-se inicialmente do problema envolvendo-se com o processo de aprendizagem buscando explicações do tipo: Como esta criança aprende? Como sua aprendizagem varia? Como se produzem as alterações em sua aprendizagem? Como reconhecer, tratar e prevenir os problemas de aprendizagem?

Segundo Bossa (2007) o objeto central da psicopedagogia está estruturado em torno do processo da aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos, bem como a influência do meio (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento O psicopedagogo é um profissional que tem total dedicação à assessoria de instituições escolares com o intuito de certificar aos profissionais que nela atuam e oferecer condições precisas para se poder atingir uma melhor compreensão da complexidade do processo de ensinar e aprender. O trabalho desempenhado pelo mesmo permite uma composição de análises correspondentes a cada instituição escolar garantindo a elas uma melhor qualidade de trabalho para os educadores e ainda estimular à desenvoltura de relações inter-pessoais, a estabilidade de vínculos sócio-afetivos, o emprego de processos de ensino e aprendizagem compatibilizados com as concepções mais atualizadas a respeito dos métodos de trabalho e planejamento por meio de um envolvimento mais dinâmico com a equipe escolar, proporcionando acima de tudo uma ampliação no modo de olhar o aluno em torno dos problemas que ocorridos em torno de seu processo de aprendizagem. Está preparado para atender crianças e/ou adolescentes que apresentam problemas de aprendizagem, com a função de prevenir, diagnosticar e intervir, podendo sua atuação ocorrer em escolas, empresas e clinicas.

Conforme salienta-nos Beuclair (2004), diante do baixo desempenho acadêmico, as escolas estão cada vez mais preocupadas com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem, não sabem mais o que fazer com as crianças que não aprendem de acordo com o processo considerado normal e não possuem uma política de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem.

Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, está apto a trabalhar na área da educação, dando assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para melhoria das condições do processo ensino-aprendizagem, bem como para prevenção dos problemas de aprendizagem. Por meio de técnicas e métodos próprios, o psicopedagogo possibilita uma intervenção psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar, está mobilizado na construção de um espaço adequado às condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a metodologia e/ou a forma de intervenção com o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal processo (BEUCLAIR, 2004, p. 65).

Neste sentido os desafios que surgem para o psicopedagogo dentro da instituição escolar relacionam-se de modo significativo. A sua formação pessoal e profissional implicam a configuração de uma identidade própria e singular que seja capaz de reunir qualidades, habilidades e competências de atuação na instituição escolar.

Entende-se então que, a psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor.

Para Beuclair (2004), ao psicopedagogo cabe avaliar o aluno e identificar os problemas de aprendizagem, buscando conhecê-lo em seus potenciais construtivos e em suas dificuldades, encaminhando-o, por meio de um relatório, quando necessário, para outros profissionais - psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista, etc. que realizam diagnóstico especializado e exames complementares com o intuito de favorecer o desenvolvimento da potencialização humana no processo de aquisição do saber.

Para Scoz (1992), evidências sugerem que um grande número de alunos possui características que requerem atenção educacional diferenciada. Neste sentido, um trabalho psicopedagógico pode contribuir muito, auxiliando educadores a aprofundarem seus conhecimentos sobre as teorias do ensino-aprendizagem e as recentes contribuições de diversas áreas do conhecimento, redefinindo-as e sintetizando-as numa ação educativa. Esse trabalho permite que o educador se olhe como aprendente e como ensinante.

Além do já mencionado, o psicopedagogo está preparado para auxiliar os educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo para a compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir, bem como participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a um pequeno grupo de alunos (SCOZ, 1992, p. 34).

Para tanto, o psicopedagogo, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas nas suas disciplinas. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva. Também o é a sua participação em reuniões de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos filhos; em conselhos de classe, avaliando o processo metodológico; na escola como um todo, acompanhando a relação professor e aluno, aluno e aluno, aluno que vem de outra escola, sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio.

[...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem (BOSSA, 2007, p. 23).

O estudo psicopedagógico atinge seus objetivos quando, ampliando a compreensão sobre as características e necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. Para isso, deve analisar o Projeto Político-Pedagógico, sobretudo quais as suas propostas de ensino e o que é valorizado como aprendizagem. Desta forma, o fazer psicopedagógico se transforma podendo se tornar uma ferramenta poderosa no auxílio de aprendizagem.

Como relata Scoz (1992), o psicopedagogo estimula o desenvolvimento de relações interpessoais, o estabelecimento de vínculos, a utilização de métodos de ensino compatíveis com as mais recentes concepções a respeito desse processo. Procura  envolver a equipe escolar, ajudando-a a ampliar o olhar  em torno do aluno e das circunstâncias de produção do conhecimento, ajudando o aluno a superar os obstáculos que se interpõem ao pleno domínio das ferramentas necessárias à leitura do mundo.

A aprendizagem humana é determinada pela interação entre o indivíduo e o meio, da qual participam os aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Dentro dos aspectos biológicos, a criança apresenta uma série de características que lhe permitem, ou não, o desenvolvimento de conhecimentos. As características psicológicas são conseqüentes da história individual, de interações com o ambiente e com a família, o que influenciará as experiências futuras, como, por exemplo, o conceito de si próprio, insegurança, interações sociais, etc.

Nesse contexto, é pertinente concluir que:

  • É fundamental que a criança seja estimulada em sua criatividade e que seja respondida às suas curiosidades por meio de descobertas concretas, desenvolvendo a sua auto-estima, criando em si uma maior segurança, confiança, tão necessária à vida adulta;
  • É preciso que os pais se impliquem nos processos educativos dos filhos no sentido de motivá-los afetivamente ao aprendizado. O aprendizado formal ou a educação escolar, para ser bem-sucedida não depende apenas de uma boa escola ou de bons programas, mas, principalmente, de como a criança é tratada em casa e dos estímulos que recebe para aprender;
  • É preciso entender que o aprender é um processo contínuo e não cessa quando a criança está em casa (BEUCLAIR, 2004).

Assim, as mudanças políticas, sociais e culturais são referenciais para compreender o que acontece nas escolas e no sistema educacional. O psicopedagogo deve saber interpretar e estar inteirado com essas mudanças para poder agir e colaborar, preocupando-se com que as experiências de aprendizagem sejam prazerosas para a criança e, sobretudo, que promovam o desenvolvimento.

Conseqüentemente, a psicopedagogia, pode fazer um trabalho entre os muitos profissionais, visando à descoberta e o desenvolvimento das capacidades da criança, bem como pode contribuir para que os alunos sejam capazes de olhar esse mundo em que vivem, de saber interpretá-lo e de nele ter condições de interferir com segurança e competência. Assim, o psicopedagogo não só contribuirá com o desenvolvimento da criança, como também contribuirá com a evolução de um mundo que melhore as condições de vida da maioria da humanidade.

A escola é considerada por excelência o veículo de difusão do conhecimento e espaço onde ocorre o desenvolvimento sócio-cognitivo dos indivíduos. Como instituição social tem a incumbência de garantir aos que nela ingressam a construção saudável de saberes e competências necessárias para o enfrentamento dos desafios que a atual sociedade lhes apresenta. Entretanto, a escola de hoje se depara com sérios entraves que a impede de ser lócus principal no processo de desenvolvimento do sujeito, sobretudo das crianças com dificuldades de aprendizagem. À ineficiência da escola e dos professores diante dos problemas de aprendizagem sugere especialmente aos educadores a busca por uma formação que lhes permita uma compreensão global do sujeito em processo de aprendizagem (BEUCLAIR, 2004, p. 76).

Nesse sentido, a psicopedagogia surge como nova área do conhecimento na busca de compreender e solucionar os problemas de aprendizagem, tendo em sua configuração institucional a função de pensar e refazer o trabalho no cotidiano da escola.

Não obstante de todo o debate em torno da importância da educação e da relevância das propostas que objetiva a melhoria das condições educativas, o sistema educacional brasileiro encontra-se ainda escamoteado. Mesmo com a evolução da oferta de vagas e os programas instaurados pelo governo que visam à melhoria do ensino nas instituições, a educação convive com graves problemas históricos que se arrastam até os dias de hoje entre os quais destacamos a desvalorização do profissional e a falta de uma formação adequada que ofereça ao professor lidar com problemas que vivencia na escola, sobretudo as dificuldades de aprendizagem dos alunos.

[...] Alunos que por falta de competência do professor é taxado como retardado, desnutrido, inapto a desenvolver-se e em conseqüência excluído e culpabilizado pelo seu não aprender. Neste quadro de incertezas e esperanças surge a figura do psicopedagogo geralmente professores vindos das diversas modalidades de ensino, sedentos de respostas ao como fazer e lidar com problemas de aprendizagem, alguém que, em geral, atua em uma função, para a qual foi habilitado na graduação, e que ao completá-la com estudos em nível de especialização em Psicopedagogia, modifica a sua práxis (BOSSA, 2007, p. 63).

Assim, em busca de redirecionar à sua prática o professor encontra na Psicopedagogia não o remédio para a cura dos males da educação, mas um aparato teórico metodológico que redimensione o seu fazer pedagógico na instituição educativa.

Para Bossa (2007), o trabalho do Psicopedagogo aqui é tratado no âmbito da instituição escolar, trabalho este de extrema relevância para os sujeitos envolvidos na dinâmica ensino-aprendizagem. O Psicopedagogo na instituição assumirá o compromisso com a transformação da realidade escolar, à medida que se propõe a fazer uma reorientação do processo de ensino-aprendizagem refletindo os métodos educativos e numa atitude investigativa descobrir as causas dos problemas de aprendizagem que se apresenta na instituição e que se depara em sala de aula. É papel do professor agora psicopedagogo na instituição conhecer a intencionalidade da escola em que atua através do seu projeto político pedagógico, de modo que o permita além de identificar as concepções de aluno e de ensino-aprendizagem que a instituição adota reconstruir esse projeto junto à equipe escolar conduzindo a reflexão e a construção de um ambiente propício à aprendizagem significativa. Além de repensar o fazer pedagógico da escola o psicopedagogo deve ter um olhar atento para entender o sujeito em suas características multidisciplinares, como ser cognoscente envolvido na teia das relações sociais, sendo influenciado por condições orgânicas e culturais.

O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo em um processo de interação com o meio físico e social. Nesse processo interfere o seu equipamento biológico, as suas condições afetivas - emocionais e as suas condições intelectuais. A psicopedagogia entendeainda que essas condiçõesafetivo-emocionais e intelectuais são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. Nesse sentido, o psicopedagogo lança seu olhar numa perspectiva multidimensional do sujeito aprendente constituído de natureza biológica e social, determinado pelas dimensões sócio-históricas em que vive. Nessa perspectiva faz-se necessário o psicopedagogo se debruçar sobre os aspectos constituintes do aprendiz, levando em conta a instituição onde o aluno constrói o conhecimento, o conceito social onde está inserido e os fatores orgânicos que podem estar ocasionando o não aprender (BOSSA, 2007, p. 74).

Pensar o sujeito que aprende conforme os princípios da Psicopedagogia é reconhecê-lo como ser ativo e contextualizado onde a aprendizagem é um processo inevitavelmente produzido e inter-relacionado pelas relações que estabelece com a escola, a família, ou seja, do grupo social da qual é integrante.

Beuclair (2004), apresenta compreensões de que, dentro da escola, o professor deve adotar o olhar e a escuta psicopedagógica como forma de identificar, intervir e prevenir os problemas de aprendizagem de modo a entender seu aluno, bem como através do diagnóstico encaminhá-lo se preciso a outros profissionais além de realizar um trabalho preventivo para que sejam evitadas perturbações no processo de aprendizagem.

Segundo Bossa (2007), de fato o trabalho psicopedagógico na instituição é essencialmente preventivo, pois é na escola que se manifesta e tornam-se visíveis as chamadas dificuldades de aprendizagem, sendo ainda o lugar onde estas podem ser ocasionadas, pois acreditamos que grande parte das dificuldades de aprendizagem acontece devido à inadequada pedagogia da escola. Nesse sentido, é fundamental ao professor fazer uma leitura da sua prática, rever suas metodologias, elencar maneiras de atender ao aluno com dificuldades, e revelar-se como aprendente numa relação de troca e diálogo com os alunos. É necessário ao psicopedagogo que atua em sala de aula considerar o nível de aprendizagem do aprendiz, compreendendo as etapas evolutivas da aprendizagem, como um processo que é vivenciado por cada aprendiz de maneira diferente.

Cabe ao professor vê o seu aluno, como sujeito da aprendizagem, que carrega em sua bagagem, conhecimentos trazidos da vida cotidiana; considerar sua forma de ser e estar no mundo, e acima de tudo ver suas potencialidades que por vezes é ignorada pelo meio escolar e familiar. Torna-se essencial ao professor pensar e agir psicopedagogicamente, pois é isto que lhe compete e para qual foi habilitado conforme os estudos da Psicopedagogia institucional. Apostar numa postura psicopedagógica é contemplar o sujeito em sua plenitude, onde numa relação dialógica tentarão compreender suas dificuldades, seus interesses, suas expectativas diante do aprender, bem como a realidade onde o aluno constrói o conhecimento.

Quando o processo de aprendizagem acontece de forma linear. O aluno adquire os seus conhecimentos com segurança, e a sua construção se torna mais prazerosa. Sua auto-estima se eleva, e isto, se reflete na apresentação de um ótimo rendimento em todas as disciplinas.

[...] Todavia, se no seu trajeto, ele se depara com inúmeras dificuldades, tais como: lentidão na execução de tarefas, queda de desempenho nas matérias, notas baixas, repetências, desinteresse pelos estudos, devemos então considerar o trabalho psicopedagógico como relevante, já que o aprendiz por si só, não tem condições de fazê-lo e nem a instituição lhe dá suporte necessário. Neste caso, o psicopedagogo é indispensável e deve realizar sua função de forma responsável, visando promover tanto no aluno, quanto na escola mudanças significativas de aprendizagem (BENZONI, 2011, p.02).

 Para Benzoni (2011), a instituição (diretor, agentes administrativos, professores, secretários, coordenadores) não deve ver o psicopedagogo como uma ameaça, que está ali apenas para apontar os erros, mas como um suporte a mais, que poderá ajudar muito a escola. No entanto, para criar bases mais sólidas, será necessário que o ambiente escolar esteja aberto a estas mudanças, que se comprometam com este profissional coletivamente.

O trabalho só terá sucesso, se todos cooperarem e tiverem o mesmo objetivo: de sanar as dificuldades de aprendizagem nos alunos; superar os conflitos já existentes e os ainda estão por vir. Conflitos estes, muito intensos e que aumentam ainda mais os obstáculos nas relações entre as pessoas. Interferindo em vários aspectos, principalmente no aspecto cognitivo criando uma série de demandas,  necessitando assim da intervenção psicopedagógica.

Desta formas, o papel do psicopedagogo é de suma importância, porque ele vai agir como um “solucionador” para os problemas de conduta e aprendizagens, já que ele tem o domínio de técnicas especializadas, orientando professores, pais e demais envolvidos, naquilo que devem fazer em cada momento, para potencializar o tratamento. Por meio do diagnóstico psicopedagógico podem-se identificar os motivos que causam/causaram os problemas de aprendizagem, tendo como instrumentos pedagógicos provas operatórias e materiais pedagógicos em geral.  

Para Ancona-Lopez (1995), o psicopedagogo pode confirmar ou não suas suspeitas após fazer o diagnóstico na criança, podendo afirmar se há ou não problemas de aprendizagem, caso existam  o mesmo inicia com anuência da família acompanhamento psicopedagógico e também analise se a necessidade do envolvimento de outros profissionais tais como: psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista ou outro especialista dependendo do caso.

O acompanhamento psicopedagógico pode ser realizado, por meio de várias atividades e diversos recursos tais como: brincadeiras e jogos pedagógicos, contação de, aprendizagem para a criança e ainda identificar o que pode estar causando algum bloqueio para a mesma. Por meio de jogos a criança alcança a maturidade, aprende a ter limites, aprende a vencer e a perder, aumenta seu raciocínio, desenvolve a concentração, consegue maior atenção

[...] os jogos consistem numa simples assimilação funcional, num exercício das ações individuais já aprendidas. Gera ainda, sentimento de prazer, tanto pela ação lúdica em si, quanto pelo domínio destas ações. A atividade lúdica é um dos melhores caminhos para o entendimento do mundo da criança e/ou adolescente, por isso, a mesma deve sempre ser utilizada em sessões de acompanhamento psicopedagógico.  No que se refere ao acompanhamento escolar, algumas vezes se faz necessário, o acompanhamento por meio da observação dos cadernos, a organização e os erros cometidos, auxiliando a criança a compreender seus erros e ajudando-a descobrir o melhor meio de estudar e fazer com que a aprendizagem efetivamente aconteça (PIAGET, 1986, p. 117).

Para Scoz (1992), o psicopedagogo que está fora da instituição onde está a criança e/ou adolescente poderá comparecer a mesma para conversas informais ou não com o docente, colegas e demais funcionários da instituição para um melhor conhecimento da criança/adolescente atendido. O contato do profissional com as pessoas envolvidas no dia-a-dia da criança e/ou adolescente sempre revelam aspectos que podem auxiliar no acompanhamento das mesmas.

Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem, pode-se pensar no papel do psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. Ele deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família, tentando descobrir a função do não aprender. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família, qual a modalidade de aprendizagem da criança, não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado, tentando também engajar a família no projeto de acompanhamento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade, modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança e/ou adolescente (SCOZ, 1992, p. 42).

O trabalho na instituição escolar apresenta duas naturezas: o primeiro diz respeito a uma psicopedagogia voltada para o grupo de alunos que apresentam dificuldades na escola. O seu objetivo é reintegrar e readaptar o aluno à situação de sala de aula, possibilitando o respeito às necessidades e ritmos. Tendo como meta desenvolver as funções cognitivas integradas ao afetivo, desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente para a aprendizagem dos conceitos conforme os objetivos da aprendizagem formal.

O segundo tipo de trabalho refere-se à assessoria junto a pedagogos, orientadores e professores. Tem como objetivo trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos e as diferentes áreas do conhecimento. No exercício preventivo, pode-se falar em três níveis de prevenção:

  • No primeiro nível, o psicopedagogo atua no sentido de diminuir a freqüência dos problemas de aprendizagem, seu trabalho recai nas questões didático-metodológicas, bem como na formação e orientação de professores, além de fazer aconselhamento aos pais.
  • No segundo nível, o objetivo é diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já instalados, a partir dos quais, procura-se avaliar os currículos com os professores para que não se repitam tais transtornos.
  • No terceiro nível, o objetivo é eliminar os transtornos já instalados, num procedimento clínico com todas as suas implicações. O caráter preventivo permanece aí, uma vez que, ao eliminarmos um transtorno, estamos prevenindo o aparecimento de outros (BOSSA, 2007).

Assim, na sua tarefa junto às instituições escolares, o psicopedagogo, numa ação preventiva, deve adotar uma postura critica ao fracasso escolar, visando propor novas alterações de ações voltadas para a melhoria da prática pedagógica nas escolas.

Segundo Fernández (1991), para resolver o fracasso escolar necessitamos recorrer principalmente ao plano de prevenção nas escolas batalhar para que o professor possa ensinar     com prazer para que, com isso, seu aluno possa aprender com prazer,     tende       a denunciar a violência encoberta e aberta, instalada no sistema Educativo, em outros objetivos.

[...] A intervenção do psicopedagogo no processo de diagnóstico das classes de alfabetização é muito importante para o sucesso dos alunos nos anos iniciais de sua escolarização, pois os grupos de crianças são sempre heterogêneos quanto aos conhecimentos já adquiridos nas diversas áreas do conhecimento, ou seja, o seu conhecimento prévio, portanto, às crianças não chegam à escola com o mesmo desenvolvimento real, como também não mostrarão ao educador os mesmos processos de maturação em via de serem consolidados na zona proximal e, tampouco, terão as mesmas possibilidades na zona potencial. Cada criança mostra-se como um ser único, com capacidades, limitações, motivações, habilidades, atitudes e interesses específicos (FERNÁNDEZ1991. p.81-82).

Diante desse universo de diversidades próprias do ser humano, que o professor encontra na sala de aula, a intervenção psicopedagógica é fundamental, pois na maioria das vezes, o professor não detém o conhecimento necessário para conhecer cada criança na sua individualidade, principalmente por ser grande o quantitativo de alunos que na maioria das vezes apresentam problemas. Cabe ao psicopedagogo juntamente com o professor fazer um levantamento das possibilidades, limitações, conhecimentos, habilidades e aprendizados construídos por cada aluno, para subsidiar a elaboração de propostas didático-pedagógicas que irão realmente atender a cada sujeito-aprendente em seu processo de desenvolvimento e aprendizado em todas as áreas do conhecimento.

Segundo Vygotsky (1988) o aprendizado impulsiona o desenvolvimento, daí o papel da escola na construção do “ser psicológico” dos indivíduos que vivem em sociedades escolarizadas. O psicopedagogo e o professor devem atuar na zona de desenvolvimento proximal como mediadores, e interventores  no organismo que não se desenvolve plenamente sem o suporte de outros indivíduos de sua espécie. Para o desempenho desse papel e preciso conhecer os processos já consolidados pela criança, seu nível de desenvolvimento real, os que já se iniciou ou não na zona proximal e o que se precisa aprender para o desenvolvimento de suas funções psicológicas (Zona de Desenvolvimento Potencial ou Imediato).

De posse do diagnóstico o psicopedagogo e a escola devem dirigir o ensino não para etapas intelectuais já consolidadas, mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não alcançados pelos alunos, mas já iniciados no seu processo de desenvolvimento. Assim, o psicopedagogo será o construtor da ponte entre o que o aluno sabe e o que ele pode e deve aprender. Nesse percurso, é necessário observar sempre as possibilidades das crianças e o nível de desenvolvimento potencial de cada uma.

Nessa perspectiva, o processo ensino-aprendizagem na escola será construído a partir do nível de desenvolvimento real da criança, num determinado momento, em relação a um dado conteúdo curricular a ser desenvolvido, tendo em vista os objetivos e as metas estabelecidas pela escola, professor e até mesmo pelo psicopedagogo, para aquele ano escolar e para cada grupo de criança atendida.

 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Saber lidar com o diferente; estruturar o sujeito, não é uma  tarefa fácil,mas o psicopedagogo deve ter sempre este compromisso social.E a partir das reflexões envolvidas no processo  de intervenção, contribuir para o esclarecimento destes déficit na aprendizagem, que não tem como causa apenas deficiências do aluno, mas que são conseqüência de problemas na instituição escolar, como também a família e outros membros da comunidade, que interferem no processo. É importante que tenhamos em mente, que o trabalho do psicopedagogo se dá numa situação de relação entre pessoas.O objetivo deste profissional é o de conduzir a criança ou adolescente, ou a instituição a reinserir-se numa escolaridade normal e saudável.Problemas de aprendizagem existem e sempre vão existir, mas só que agora há uma diferença, temos um olhar novo, clínico e mais amplo voltados para eles.Um olhar de um profissional que deve ser mais requisitado , e que não deixa de ser , de grande relevância no âmbito escolar.

 

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANCONA-LOPEZ, M. Psicodiagnóstico: processo de intervenção. São Paulo: Cortez, 1995.

BENZONI: G.A. Selma. Reflexões sobre diagnóstico psicopedagógico. 2007. Disponível em: < http: // www.abpp.com.br / acesso em 26 de maio de 2011.

BEUCLAIR, João. Psicopedagogia: trabalhando competências, criando habilidades. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2004.

BOSSA, Nádia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Nádia A. Bossa – 3, ed – Porto Alegre: Artmed, 2007.

FERNÁNDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada: Abordagem Psicopedagógica clinica da criança e sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.

PIAGET, J. A Linguagem e o pensamento na criança. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

SCOZ, J. L. (Orgs.) Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

VYGOTSKY, L. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: U.S. P, 1988.

 

Evelyn de Queiroz Souza

Pós Graduanda do Curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Psicopedagogia Clínica Educacional.


José Olimpio

Professor Mestre do Curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Psicopedagogia Clínica Educacional.

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