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aspas1 A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida. aspas2

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Evasão Escolar: Um desafio na Escola Estadual "22 de Maio"

RESUMO

O presente trabalho emergiu do curso de Especialização em Gestão Escolar oferecido pela Escola Particular Impactos Instituto Matogrossense de Pós Graduação e Serviços Educacionais Ltda, desenvolvido na Escola Estadual “22 de Maio” Município de Rio Branco – MT, teve como objetivo obter uma visão a respeito dos motivos que levam os alunos da EJA, ensino Fundamenta e médio, noturno a evadirem da escola diversas vezes não concluindo seus estudos. A pesquisa e o conhecimento teórico desses motivos serão utilizados na construção de metas e ações para tentar combater essa evasão em nossa escola, sendo assim, esse trabalho e resultado das pesquisas, inúmeras leituras, reflexões, e trocas de experiências que obtivemos dentro do curso referido em dialogo com a realidade local.

 

Palavras-chave: Evasão escolar – EJA – Escola.

 

ABSTRACT

This work emerged from the specialization in School Administration offered by the Private School Instituto Matogrossense de Pós Graduação e Serviços Educacionais Ltda, developed the Escola Estadual “22 de Maio”  City of Rio Branco - MT, aimed to gain insight about the reasons why students in adult education, elementary and high school, night school to evade several times not finishing their studies. The research and theoretical knowledge of these grounds will be used in the construction of goals and actions to try to combat such evasion in our school, so this work and results of research, countless readings, reflections, and exchanges of experience we have gained in the course mentioned in dialogue with local realities.

 

Keywords: School evasion - EJA - School.  

 

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho foi desenvolvido na Escola Estadual 22 de Maio, instituição localizada no município de Rio Branco estado de Mato Grosso, durante o desenvolvimento do curso de Especialização em Gestão Escolar realizado pela Escola Particular Impactos Instituto Matogrossense de Pós Graduação, o qual se propôs aprofundar, complementar e ampliar os conhecimentos dos alunos sobre Gestão escolar, Orientação educacional e processos da gestão democrática educacional.

No decorrer do curso no qual estudamos temas como Supervisão Escolar: do que se trata? Estratégia da ação supervisora, O Conselho de Classe e a Ação Supervisora, Evasão Escolar: Um dos Principais Problemas da Educação Moderna, Organização do Trabalho Cotidiano, Currículo, Uma Reflexão Possível, Teorias do Conhecimento, PIAGET – Teoria Psicogenética, Vygotsky – A Concepção Histórico-Cultural, A Relação Entre o Desenvolvimento e Aprendizagem e Pedagogia através da Prática  atuação do conselho deliberativo, gestão democrática e o projeto político pedagógico (PPP), aprendemos como valorizar a atuação de todos os pares no cotidiano da escola, adquirimos uma visão mais ampla no sentido de como trabalhar com a comunidade escolar, como chamar essa comunidade para esse trabalho participativo para melhorar a gestão democrática e o desempenho pedagógico, realizamos mudanças importantes em nosso PPP, buscando mais clareza em seu planejamento e a grande preocupação de todos e o numero de alunos que evadem todos os anos fomos unânimes em trabalhar o tema evasão escolar na   Educação de Jovens e Adultos ( EJA).

A necessidade deste trabalho surgiu ao convivermos com os elevados índices de evasão em nossa escola e termos tentado diversas metodologias para conter esta evasão e nenhuma surtiu o resultado esperado, resolvemos fazer uma investigação com um grupo de alunos que evadiram anos consecutivos, tentando assim obter dados concretos que possam nortear projetos futuros. 

A metodologia utilizada para a pesquisa foi uma abordagem qualitativa e quantitativa, os dados foram coletados através de aplicação de questionários individuais.
Todo trabalho tanto de estudos como a luz da pratica no cotidiano da escola, objetivou fortalecer as ações de intervenções da gestão da escola concretizando os ideais de uma participação mais efetiva de todos os pares da instituição de ensino.

 

 

2. UM OLHAR SOBRE CONTEXTO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL

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2.1 Educação de Jovens e Adultos no Brasil

Nota-se que no decorrer das muitas décadas que marcaram o surgimento da educação formal na sociedade, aquelas que mais modificaram o cenário mundial estão relacionadas diretamente à instauração do modelo capitalista na maioria dos paises ocidentais.

Tem-se uma escola fruto do capitalismo monopolista que responde as necessidades de uma sociedade em constante movimento. Movimento necessário para encarnar na população a promessa de ascensão a todos e pela geração de novos interesses para garantir a movimentação do mercado e da produção e reprodução do capital.

Mas em sua função social, ao invés de ampliar a compreensão critica da realidade a escola mantém sua pratica seletiva, discrimina alunos aptos de alunos inaptos, alunos bons de alunos ruins, exclui e culpabiliza-os pelo seu fracasso.

A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96–(LDB) prevê a igualdade de condições para acesso e permanência na escola, liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura o pensamento, a arte e o saber, assim como a educação – dever da família e do estado – inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana, têm por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Todavia ocorre que o Brasil tem enfrentado ao longo da sua historia, o problema da exclusão social, em milhões de brasileiros ainda não se beneficiam do ingresso e da permanência na escola, apesar do ensino brasileiro vir passando por um processo de transição, buscando novas alternativas pedagógicas com programas que sirvam de incentivo a todos os jovens e adultos a buscarem o saber formal, não se tem alcançado um resultado satisfatório.

A evasão escolar tem apresentado resultados negativos, tornando-se desafiador para o professor, manter a permanência do aluno na escola.

A educação de jovens e adultos é uma modalidade de ensino, amparada por lei e voltada para pessoas que não tiveram acesso, por algum motivo, ao ensino regular na idade apropriada. Porém são pessoas que têm cultura própria. Sabe-se que o papel do docente é de fundamental importância no processo de reingresso do aluno às turmas de EJA. Por isso o professor da EJA deve também ser um professor especial, capaz de identificar o potencial de cada aluno, no entanto temos nos deparado com professores sem uma qualificação adequada ao programa para jovens e adultos que tem contribuído mais para a exclusão social do que para a formação educacional.

Desde a década de 30 com as mudanças políticas e econômicas a educação de adultos começa a delimitar seu lugar na história do país. Já na década de 40 a educação de adultos toma forma de Campanha Nacional de Massa, sendo marcada por iniciativas políticas e pedagógicas que ampliaram a educação de jovens e adultos foram criados o Fundo Nacional do Ensino Primário (FNEP) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP); surgem também as primeiras obras dedicadas ao ensino supletivo; o lançamento da Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), esse conjunto de ações fez com que a educação de adultos se firmasse como questão nacional.

Nos anos 50 foi realizada a Campanha Nacional de Erradicação do analfabetismo (CNEA), mas foi extinta juntamente com as outras campanhas ate então existente. Segundo SOARES (1996), eram: o investimento na educação como solução para problemas da sociedade; o alfabetizador identificado como missionário; o analfabeto visto como causa da pobreza; o ensino de adultos como tarefa fácil; a não necessidade de formação especifica; a não necessidade de remuneração, devido à valorização do “voluntariado”.

Apesar dessa campanha não ter tido sucesso, conseguiu alguns bons resultados, no que se refere à visão preconceituosa sobre a educação de jovens e adultos. Na década de 60 o pensamento Na visão de (Haddad, 1991) os Centros de Estudos Supletivos não atingiu seus objetivos verdadeiros, pois, não recebeu o apoio político nem os recursos financeiros suficientes para sua plena realização.

Na década de 60, surge a nova perspectiva do ensino para jovens e adultos, através do círculo da cultura pelo célebre Paulo Freire, que expandiu a oportunidade em alguns municípios, instruindo os trabalhadores através de suas teorias liberais e libertadoras, abrindo novos horizontes à sabedoria da consciência política e revolucionária que partia do seu método, do contexto sócio-cultural e histórico das pessoas.

Com seu trabalho, no período, teve grande repercussão não só no sentido do ler e escrever, mas dando maior ênfase à conscientização política de organização das camadas populares; foi reprimido diante de seu ato formador conseguindo em 40 dias alfabetizar grupos de trabalhadores dentro dos princípios humanos e democráticos.

De acordo com a visão de Freire (2001, p.32) Em todo homem existe um ímpeto criador. O ímpeto de criar nasce da inconclusão do homem. A educação é mais autêntica quanto mais desenvolve este ímpeto ontológico de criar. A educação deve ser desinibidora e não restritiva é necessário darmos oportunidades para que os educadores sejam eles mesmos. Além disso, seus objetivos estavam voltados para os interesses das empresas privadas de educação, de Paulo Freire, e sua proposta para a alfabetização de adultos, inspiram os principais programas de alfabetização do país. 

A delegação de Pernambuco, da qual Paulo Freire fazia parte, propôs uma educação baseada no diálogo, que considerasse as características socioculturais das classes populares, estimulando sua participação consciente na realidade social.

A década de 70, ainda sob a ditadura militar, marca o início das ações do Movimento Brasileiro de Alfabetização – (MOBRAL), que era um projeto para se acabar com o analfabetismo em apenas dez anos. Após esse período, quando já deveria ter sido cumprida essa meta, o Censo divulgado pelo IBGE registrou 25,5% de pessoas analfabetas na população de 15 anos ou mais.

O programa passou por diversas alterações em seus objetivos, ampliando sua área de atuação para campos como a educação comunitária e a educação de crianças. O ensino supletivo, implantado em 1971, foi um marco importante na história da educação de jovens e adultos do Brasil.

Durante o período militar, a educação de adultos adquiriu pela primeira vez na sua história um estatuto legal, sendo organizada em capítulo exclusivo da Lei nº5.692/71, intitulado ensino supletivo. O artigo 24 desta legislação estabelecia com função do supletivo suprir a escolarização regular para adolescentes e adultos que não a tenham conseguido ou concluído na idade própria. (VIEIRA, 2004, p. 40).

Foram criados os Centros de Estudos Supletivos em todo o País. Na visão de (Haddad, 1991) os Centros de Estudos Supletivos não atingiram seus objetivos verdadeiros, pois, não recebeu o apoio político nem os recursos financeiros suficientes para sua plena realização, além disso, seus objetivos estavam voltados para os interesses das empresas privadas de educação.

Na década de 80 com a força dos movimentos sociais e a abertura política os projetos de alfabetização se desdobram em turmas de pós-alfabetização, desacreditado o Mobral foi extinto e em seu lugar surge a Fundação educar, que apoiava financeira e tecnicamente as iniciativas do governo, das entidades civis e das empresas.

Em 1988, foi promulgada a Constituição, que ampliou o dever do estado para com a EJA, garantindo o ensino fundamental obrigatório e gratuito para todos.

Nos anos 90, o desafio da EJA passou a ser o estabelecimento de uma política e de metodologias criativas, com a universalização do ensino fundamental de qualidade, realizam conferências em diversos países sendo que a que mais se destacou foi na V Conferência Internacional de Educação de Jovens, que aconteceu na Alemanha/Hamburgo promovida pela UNESCO e foi um importante marco, na medida em que estabeleceu a vinculação da educação de adultos ao desenvolvimento sustentável e equitativo da humanidade.

Também nesta década a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB dedica dois artigos (art. 37 e 38) para reafirmar a obrigatoriedade e gratuidade da oferta da educação para todos que não tiveram acesso na idade própria. No ano 2000 é aprovado o parecer nº 11/2000 – CEB/CNE, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Em Mato Grosso foi homologada a Resolução 180/2000 que aprovou o programa da EJA para as escolas do Estado a partir de 2002.

Grandes conquistas foram alcançadas mais ainda sentimos que a EJA precisa de um olhar mais atencioso por parte de todo, pois ainda falta muito apoio aos alunos e professores da educação de Jovens e Adultos, não podemos contar com material didático para essa clientela, os cursos de formação são ineficazes, as capacitações de nossos professores não têm surtido o efeito esperado.

No ano de 2010 surge à resolução 003 do CNEE que estabelece novas diretrizes para a EJA, muda-se a idade mínima de ingresso de 14 para 15 anos no ensino fundamental e de 17 para 18 no ensino médio, ocorre uma diminuição da carga horária no ensino médio, o que acreditamos que incentivara a permanência desses alunos na escola.

O governo do estado depois de muitas discussões estabelece as diretrizes curriculares para a educação de jovens e adultos sentimos que estamos avançando no sentido de se realizar uma educação de qualidade e diferenciada para a EJA.

Fica claro o caminho que a Educação de Jovens e Adultos percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje, considerando essa trajetória que tem sido pautada por campanhas ou movimentos desenvolvidos, pela administração federal, com envolvimento de organizações e sociedade civil.

Apesar de não haver continuidade nos programas ao longo dos tempos à luta por políticas públicas a favor da EJA tem sido constante, os avanços para esta modalidade de ensino são significativos, porém insuficientes.

Precisamos repensar a maneira como a EJA é concebida e praticada, investindo na formação dos educadores para que os mesmos possam incentivar os alunos a desenvolverem suas capacidades, em função de novos saberes, que o educando obtenha uma formação indispensável para o exercício da cidadania.

 

2.2 A Realidade da educação de Jovens e Adultos:

Escola Estadual 22 de Maio no Município de Rio Branco.

 

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A Escola Estadual 22 de Maio hoje com esta denominação, passou por vários momentos históricos na sua trajetória de modalidade.

Iniciou-se com o Projeto Logos II, sendo este, destinado a atender os professores municipais que não estavam habilitados em nível de Magistério. O desenvolvimento do projeto era através de determinados módulos em cada disciplina, encontros pedagógicos mensais e estágio supervisionado. O curso era muito rico de preparo profissional, o que foi notado na realização de concursos públicos municipais e estaduais, os quais todos os cursistas foram aprovados.

Num encontro em 1987, de Orientadores e Coordenadores do curso, realizado no Município de Jaciara, a Coordenação da escola tomou conhecimento de uma modalidade de Suplência em nível de 5ª a 8ª séries, bem como o 2º Grau em tempo reduzido para a clientela que se encontrava fora da faixa etária e também fora da escola. Buscando informações junto a Coordenação Estadual do Supletivo, procurou-se preparar toda a documentação necessária para tal modalidade. Com a ajuda do Prefeito Municipal da época Sr. Carlos Breno Pereira Hellebrandt e da Secretária Municipal de Educação, Sra. Márcia Soukef Campos, e, depois de várias tentativas de suprir as exigências burocráticas da época, oficializou-se então o funcionamento do Núcleo de Estudos Supletivos, que foi desenvolvido com a mesma metodologia do Projeto Logos II.

O curso iniciou-se atendendo uma clientela com mais de 150 alunos, sendo em sua maioria oriundos da zona rural e somente após a avaliação feita pela Coordenação Supletiva de Cuiabá, teve-se a legalização do mesmo.

Em 1993, através do Decreto nº 1370, publicado no Diário Oficial de 13/08/1993, houve alteração quanto à denominação, passando a ser chamado de Núcleo de Educação Permanente – NEP e, posteriormente, Escola Estadual de Suplência de 1º e 2º Graus.

O curso era ofertado sendo trabalhadas duas séries em um ano, o que então animavam os alunos a estudarem.

Quanto ao nome 22 de Maio foi escolhido por meio de uma Assembléia Geral, de maneira democrática, mediante as várias sugestões de nomes, talvez por ser a data de fundação da Colônia de Rio Branco consagrou-se vencedora, com isso a escola passa a se denominar Escola Estadual “22 de Maio”.

Inicialmente a Escola funcionava em prédio cedido, mas a partir de 1993, passou a ter sede própria, esta sendo um prédio antigo da Rede Estadual de Ensino. Como a maioria da clientela atendida era advinda de outros bairros da cidade, em 1998 a Escola Estadual “22 de Maio” ganhou novas instalações (FIGURA 2) as quais funciona até hoje, graças ao empenho e dedicação da Direção, professores, funcionários e alunos, nossa clientela é sua grande maioria constituída por trabalhadores braçais.

Todos os professores têm nível superior e pós-graduação, a maioria já trabalha na educação de Jovens e Adultos há vários anos, e todos reclamam da falta de formação para lidar com essa modalidade de ensino, 98% dos professores trabalham em outras escolas durante o dia e já chegam para sua ultima jornada cansados, e com isso nossos alunos muitas vezes tem reclamado do desempenho dos mesmos em sala de aula.

Na Escola Estadual 22 de Maio, trabalhamos apenas com a modalidade EJA no período noturno, já tentamos abrir salas em outros períodos, mas, não obtivemos sucesso. Nossa clientela é muito diversificada, pois a idade para o ingresso e de 15 anos e com isso aumentou muito o número de alunos nessa faixa etária por ai começa nossos problemas, adolescentes cheios de energia e com facilidade de aprendizagem em contraste com alunos de mais idade cansados de trabalharem o dia inteiro em serviços braçais, que chegam à escola para uma jornada de 4 horas em sala de aula.

Professores sem formação apropriada para lidar com essa diversidade e que vem de uma jornada de trabalho em outra unidade escolar já chegam também cansados e muitas vezes não correspondem às expectativas de nossos alunos, tratando-os como crianças de ensino regular, sendo muitas das vezes mal interpretados pelos mesmos.

Muitos alunos desistem da escola por causa do modo como são tratados pelos professores, fizemos uma avaliação da unidade escolar e vários professores foram duramente criticados pelos alunos, tentamos conversar com os mesmos numa tentativa de melhora, até obtivemos algumas mudanças  por parte dos professores.

Nossos alunos não demonstram grandes interesse em aprender vemos como uma das principais causas da evasão a baixa auto-estima acham que a escola não resolve os problemas do desemprego e da exclusão social, os baixos salários, a desmotivação e a gravidez precoce, uma vez que as jovens-mães são obrigadas a abandonarem a sala de aula para cuidar dos filhos.

A maioria não demonstra interesse em dar continuidade aos estudos à maioria só quer terminar o ensino médio, vemos como uma das principais causas da evasão e por nosso município ser pequeno e não ter um mercado de trabalho para nossos jovens eles não tem perspectiva de conseguir sair do trabalho braçal ao conseguir um certificado de ensino médio, sendo assim ficam apáticos e não contribuem muito para qualidade de seu aprendizado.

Como resultado de tudo isso, temos um alto índice de evasão, o município apresenta grande número de pessoas que precisam terminar o ensino fundamental e médio, mas, a cada ano tem diminuído a procura da escola para esse fim. Temos realizados diversos projetos tentando tornar as aulas mais atrativas, mas não temos conseguido resolver essa situação.

Os professos por não terem livros específicos para a EJA (contam apenas com uma coleção e acham que a mesma não atende a realidade de nossa clientela) ao tentar trabalhar com apostilas a maioria dos alunos se recusam a adquirir a sua, então trabalha-se com os livros do ensino regular que nos são cedidos por outras escolas.

No ano de 2010 o Governo Federal solicitou às escolas que fizessem à escolha de livros didáticos para a EJA, mas somente para o ensino fundamental, essa escolha foi realizada, mas até o momento não recebemos os livros, neste ano a oferta de livros foi ampliada para o ensino médio, mas, os livros serão entregues em 2012, não sabemos ainda teremos numero suficiente de livros para cada aluno, são avanços que estão acontecendo, mas a lentidão desses acontecimentos nos deixa desacreditados.

Quanto à formação continuada os professores só criticam, a maioria participa sem vontade, dizem que são sempre as mesmas teorias, a maioria dos profissionais que chegam a escola não tem experiência com a Educação de Jovens e Adultos, mesmo nos encontros de gestores nos sentimos excluídos, pois a maioria das falas são sobre ciclos de formação humana , educação infantil e a EJA e deixada de lado quando muito acontece uma fala bem curta sobre a mesma. 

 

2.3 A importância da gestão democrática na efetivação da educação de jovens e adultos na escola

Na gestão escolar democrática destacam-se as mudanças que se direcionam a descentralização do poder, a necessidade de um trabalho realizado com ampla participação de todos os segmentos da escola e comunidade para envolver a sociedade como um todo.

O gestor escolar necessita criar situações para romper barreiras entre a teoria e a pratica, repensando sua forma de administrar, onde todos possam opinar com idéias coerentes. Uma das questões a serem enfrentadas para articulação de uma gestão democrática são o respeito e a abertura de espaços para o “pensar diferente”.

É segundo Araújo (2000), reconhecimento da existência de diferenças de identidade e de interesses que convivem no interior da escola, e que sustentam, através do debate e do conflito de idéias, o próprio processo democrático.

A gestão escolar democrática deve visar à garantia que os alunos aprendam sobre o mundo e sobre si mesmos, adquiram conhecimentos úteis e aprendam a trabalhar com informações de complexidades gradativas e contraditórias da realidade social, econômica, política e cientifica como condição para o exercício da cidadania responsável.

O caminho a ser percorrido será construído e reconstruído no interior dos sistemas de ensino, à medida que se avançar na compreensão  de que a participação favorece a experiência coletiva ao efetivar a socialização de decisões e a divisão de responsabilidades. Quanto aos pais e alunos ainda existe certa dificuldade em atrair sua participação e envolvimento nos conselhos, a maioria eleita evade e não concluem seus mandatos, freqüentemente temos que substituir conselheiros desses segmentos. Os pais são ausentes, e uma minoria comparece a escola, porém têm dificuldades em entender os projetos desenvolvidos pela escola.

Segundo Luck (1998) projetos que funcionam são aqueles que correspondem a um projeto de vida profissional dos que são envolvidos em suas ações e que por isso mesmo, já no seu processo de elaboração canalizam energia e estabelecem orientação de propósitos para promoção de uma melhoria vislumbrada.

Há de que ressaltar que problemas e soluções envolvem pessoas que passam pelas pessoas e são delas decorrentes.

Os objetivos do trabalho pedagógico na EJA não são apenas de levar ao estudante alguns conhecimentos escolares clássicos formais. Precisam incorporar possibilidades de os conteúdos contribuírem para ações concretas que os estudantes devem ser capazes de desenvolver na sua vida cotidiana, tanto para melhorar a própria qualidade de vida como para associar esta com a vida do conjunto da sociedade.

Tornar o político mais pedagógico para Giroux (2009) significa utilizar formas de Pedagogia que incorporem interesses políticos que tenham a sensibilidade de tratar os  estudantes como agentes críticos; que tenham natureza emancipadora (tornar o conhecimento um instrumento problematizador); utilizar o diálogo crítico e afirmativo e argumentar em prol de um mundo qualitativamente melhor para todas as pessoas. “Os intelectuais transformadores precisam desenvolver um discurso que uma a linguagem da crítica e a linguagem da possibilidade, de forma que os educadores sociais reconheçam que podem promover mudanças”.

Portanto, torna-se relevante a oferta de formação continuada aos professores da EJA (FIGURA 3) buscando, além da fundamentação teórica necessária para o trabalho específico com os alunos desta modalidade, um espaço onde se possa continuamente refletir criticamente sobre a prática adotada. “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática” (FREIRE, 1999, p. 43).

 

3. EVASÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

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3.1 Pensando nas causas da evasão escolar

A evasão escolar está dentre os temas que historicamente faz parte dos debates e reflexões no âmbito da educação pública brasileira e que infelizmente, ainda ocupa até os dias atuais, espaço de relevância no cenário das políticas públicas e da educação em particular. Em face disto, as discussões acerca da evasão escolar, em parte, têm tomado como ponto central de debate o papel tanto da família quanto da escola em relação à vida escolar.

A despeito disto, o que se observa é que, a educação não tem sido plena no que se refere ao alcance de todos os cidadãos, assim como no que se refere à conclusão de todos os níveis de escolaridade.

O sistema do ensino brasileiro ao longo de sua história tem passado por um processo de transição, buscando novas alternativas pedagógicas que passam a radicalizar o analfabetismo no país, com programas que sirvam de incentivo a todos os jovens e adultos a buscarem o saber formal, mas mesmo assim os resultados não têm sido satisfatórios pelos órgãos competentes.

A evasão escolar ao longo da implantação dos programas tem apresentado resultados negativos, tornando-se desafiador para o professor, manter a permanência do aluno na escola, dentro deste contexto sócio-cultural existe vários fatores preponderantes que interferem na sua permanência escolar, devido à sobrecarga de trabalho extensivo, professores sem uma qualificação adequada ao programa para jovens e adultos que tem contribuído mais para a exclusão social do que para a formação educacional.

O homem é um ser que age conforme os padrões culturais do grupo social á que pertence; a escola, por sua vez, deve ser um agente de transformação para que agregue conhecimentos em um processo de aprendizagem a fim de capacitá-lo a lutar pelo seu lugar na sociedade Segundo Britto (2003, p 201),

Um dos motivos que levam os trabalhadores adultos a ingressarem em programas de ampliação de escolaridade é a necessidade de ressocialização, [...] possibilidade de convivência saudável com outras pessoas de mesma condição e a realização de atividades proveitosas e gratificantes. [...] pode-se dizer que é exatamente a ausência ou a pouca socialização de programas de elevação de escolaridade de jovens e adultos do sistema público e de tele educação um dos principais fatores de insucesso e não permanência.

Um ambiente em harmonia, possibilita uma força de equipe criando vínculo  entre os seus componentes; é importante que o contexto seja acolhedor para que possamos interagir com sentimentos de coletividade e colaboração. Bons relacionamentos favorecem o bem estar, propiciando ao educando uma atmosfera sadia e favorável ao aprendizado.

No Estado de Mato Grosso, dados oficiais da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC, 2000), retratam que em 1995, "a reprovação e evasão somavam 39%, e apenas 10% dos jovens na faixa de 15 a 19 anos encontravam-se matriculados no Ensino Médio”.

Assim, os dados revelam uma realidade bastante preocupante e que atinge desde o nível micro (a escola) até o nível macro (o Estado e o país). Diante do fato, inúmeras medidas governamentais têm sido tomadas para erradicar a evasão escolar, tendo como exemplos, dando a EJA recentemente o  direito a recursos da merenda escola, PDDE, com estes recursos tem se procurado tornar a escola mais atrativa para os alunos, contudo isso ainda não têm sido suficientes para garantir a permanência  e a sua promoção na escola.

A evasão escolar que, não é um problema restrito apenas a algumas unidades escolares, mas é uma questão nacional que vem ocupando relevante papel nas discussões, de maneira geral, os estudos analisam o fracasso escolar, a partir de duas diferentes abordagens: a primeira, que busca explicações a partir dos fatores externos à escola, e a segunda, a partir de fatores internos. Dentre os fatores externos relacionados à questão do fracasso escolar são apontados o trabalho, as desigualdades sociais, e a família. E dentre os fatores intra-escolares são apontados a própria escola, a linguagem e o professor.

Um outro fator seria a diferênça de idade, sendo que a EJA, tem sido alvo da Escola regular, todo aluno que não desenvolve suas capacidades de aprendizagem é empurrado de forma indireta para a EJA, este aluno sofre pressão psicológica ao deparar com a realidade de não conseguir acompanhar na sala de aula as atividades propostas.

O educador procura fazer um trabalho diferenciado de modo que desperte o desempenho de suas habilidades, contudo na maioria dos casos não se obtém sucesso,devido este aluno conhecer todo o processo de uma sala de aula que não conseguiu despertar nele o interesse pela escola. Portanto, quando o mesmo chega na EJA, encontra-se cansado, massacrado,desmotivado convencido de que não consegue mais aprender. Um outro problema que tem ocorrido bastante é com relação ao cônjuge, que tem causado grandes transtornos por causa do ciúme, bem mais acentuado no sexo masculino, insinuando que a companheira retorna à escola, não com intuito de estudar, e sim para fins amorosos. Muitos são os artifícios que eles utilizam para dificultar a permanência da mesma na escola. Há casos em que se dão ao trabalho de se fazer presente o tempo integral na escola,  quando não há possibilidade disso acontecer, ele impõe condições que a leva a desistência. Sabemos que problema é o que não falta dentro da Educação por exemplo, outro fator agravante é o horário que nem sempre condiz com o trabalho.E por isso necessita de uma compreensão não só do educador, mas de todo o corpo administrativo escolar.

Quando a escola é muito exigente quanto ao cumprimento do horário,a tendência deste aluno é a desistência, porque quando não consegue obedecer às normas da escola, o educador por mais que compreenda a situação do educando, chega um determinado momento que nem um, nem o outro tem mais argumento para assegurar a permanência do mesmo na escola.

Em muitos dos casos a merenda escolar e um incentivo a uma frequência  maior por parte dos educandos, quando o mesmo vive sozinho, ele ganha tempo não necessitando de preparar sua refeição, podendo chegar no horário exigido pela escola.

 

3.2 Interferências de fatores externos à escola

Na abordagem que busca explicar o fracasso escolar a partir de fatores externos, encontram-se os trabalhos realizados por Meksenas (1998), Arroyo (1991), Gatti et al (in BRANDÃO,1983), e outros.

Nos estudos de Brandão et al. (1983), são apresentados os resultados de uma pesquisa desenvolvida pelo Programa de Estudos Conjuntos de Integração Econômica da América Latina (ECIEL), o qual baseou-se em um uma amostra de cinco países latino-americanos, e concluiu que "o fator mais importante para compreender os determinantes do rendimento escolar é a família do aluno, sendo que, quanto mais elevado o nível da escolaridade da mãe, mais tempo a criança permanece na escola e maior é o seu rendimento”.

O estudo desenvolvido por Meksenas (1998, p. 98) sobre a evasão escolar dos alunos dos cursos noturnos aponta por sua vez que a evasão escolar destes alunos se dá em virtude de estes serem "obrigados a trabalhar para sustento próprio e da família, exaustos da maratona diária e desmotivados pela baixa qualidade do ensino, muitos adolescentes desistem dos estudos sem completar o curso secundário". Segundo o autor, essa realidade dos alunos das camadas populares difere da realidade dos alunos da classe dominante porque, com base nas pesquisas realizadas em escolas da França pelos críticos-reprodutivistas ESTABLET-BAUDELOT, enquanto os filhos da classe dominante têm o tempo para estudar e dedicar-se a outras atividades como dança, músicas, línguas estrangeiras, e outras, os filhos da classe dominada mal têm acesso aos cursos noturnos, "sem possibilidade alguma de freqüentar cursos complementares e de aperfeiçoamento".

Essas desigualdades sociais também presentes na sociedade brasileira, segundo Arroyo (1991, p. 21), são resultantes das "diferenças de classe", e são elas que "marcam" o fracasso escolar nas camadas populares, porque:

É essa escola das classes trabalhadoras que vem fracassando em todo lugar. Não são as diferenças de clima ou de região que marcam as grandes diferenças entre escola possível ou impossível, mas as diferenças de classe. As políticas oficiais tentam ocultar esse caráter de classe no fracasso escolar, apresentando os problemas e as soluções com políticas regionais e locais.

Segundo o autor são os alunos trabalhadores de baixo poder aquisitivo, que necessitam buscar escolarização que tem proporcionado alto índice de evasão nas escolas, no entanto a política publica ainda não conseguiram criar meios para conter essa evasão.

É preciso considerar que o problema da evasão escolar está dentro de um amplo contexto e que os fatores sociais e econômicos interferem neste quadro, mas as escolas não estão ainda preparadas para lidar com os problemas externos escolares, principalmente com a evolução do jovem e seu comportamento de conduta social, que na maioria das vezes são leigos de informações no que diz a respeito à cidadania plena, que só poderá ser conquistada através do saber formal articulada com o saber informal.

 

3.3 O Publico do ensino noturno: EJA

Uma primeira consideração deve ser a de reconhecer o aluno de EJA como sujeito, cuja história não é a mesma dos alunos da modalidade regular. O aluno de EJA deve ser visto como uma pessoa, cujas condições de existência, remetem à dupla exclusão, de seu grupo de pares da mesma idade e do sistema regular de ensino, por evasão ou retenção.

Este aluno, pertencente ao mundo do trabalho, ou do desemprego, como é mais comum, incorpora-se ao curso da EJA, objetivando, na maioria das vezes, concluir etapas de sua escolaridade para buscar melhores ofertas do mercado de trabalho por sua inserção no mundo letrado.

O censo de 2000 já indicava, na Educação de Jovens e Adultos, uma parcela de aproximadamente três milhões de estudantes, sendo que, desse total, cerca de 79% são jovens, o que caracteriza um novo perfil de alunado. A principal preocupação relacionada aos dados é que a presença deste contingente de jovens se apresenta como novidade nesta modalidade de ensino e exige que se pense sobre formas de lidar, para além dos conceitos da facilidade e redução de tempo na conclusão do curso e obtenção de certificado.

Há alguns anos, o perfil e as características dos alunos do ensino noturno eram estudados a partir da categoria genérica de adulto trabalhador. Atualmente, o ensino fundamental noturno atende alunos bastante diversos em idade e interesses. Verifica-se que o critério de idade não nos permite mais caracterizar esses alunos, visto que há uma diferença com relação à expectativa de escolarização, bem como às diferenças de inserção na vida social, de vivências diferenciadas do mundo do trabalho, das responsabilidades familiares...

A diversidade é mais profunda, envolve conhecer esses segmentos em sua complexidade, o quanto esses alunos, em situação de exclusão social, possuem características distintas, expressas, por exemplo, nas categorias: gerecionais, de gênero, de religiosidade, de etnia, de origem rural/urbana, de portadores de necessidades especiais, hábitos, atitudes, ritmos de socialização e aprendizagem – inclusive em relação à leitura e à escrita.

Alguns são transferidos para o horário noturno por interesses da escola e não por seu próprio interesse. Outros tiveram uma relação inicial com a escola e voltam a estudar após anos. Não podemos esquecer que a sociedade valoriza quem estuda por isso alguns decidem estudar no noturno porque confere certo grau de status e de liberdade.

O noturno também recebe um contingente de alunos do diurno: os repetentes, os defasados... Isso tem aumentado significativamente a heterogeneidade. Segundo Arroyo (mimeog):

A idade social confere certa identidade comum a todas as faixas e se torna mais marcante do que as diferenças de idade cronológica. Por exemplo, alguns jovens são prematuramente obrigados a serem adultos, a inserir-se na vida adulta, parte deles ora já estão no mundo do trabalho, ora constituem família prematuramente, ora trabalham para ajudar no sustento dos familiares... Outros, porém, estão à margem do trabalho, integram-se às gangues e a diversos grupos, como o Funk, Hip-Hop, avessos a determinadas formas de organização social postos pelo sistema, afirmam-se pela marginalidade, dentro da “contra-ordem”.

Portanto, para que possamos estabelecer com clareza a parcela da população a ser atendida pela modalidade EJA, é fundamental refletir sobre o seu público, suas características e especificidades. Tal reflexão servirá de base para a elaboração de processos pedagógicos específicos para esse público. Educação de Jovens e Adultos refere-se não apenas a uma questão etária, mas, sobretudo de especificidade cultural, ou seja, embora se defina um recorte cronológico, os jovens e adultos aos quais se dirigem as ações educativas deste campo educacional não são quaisquer jovens e adultos, mas uma determinada parcela da população.  

As mudanças ocorridas no mercado de trabalho vêm exigindo mais conhecimentos e habilidades das pessoas, assim como atestados de maior escolarização, obrigando-as a voltar à escola básica, como jovem, ou já depois de adultas, para aprender um pouco mais ou para conseguir um diploma. Essa realidade tem sido responsável pela criação de diversos projetos voltados para a alfabetização e educação de jovens e adultos.

 

4. ÁNALISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA

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4.1 Resultados alcançados

Ao realizarmos a pesquisa a secretaria da escola já tinha em mãos o resultado da evasão dos anos de 2009 e 2010 e constatamos os altos  índices que tem prevalecido nesses últimos anos, vimos também a diminuição no número de alunos matriculados, sendo que em  2011 continua a mesma quantidade de 2010.

Gráfico I- Resultado da evasão escolar no ano de 2009

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Grafico 2- Resultado da evasao escolar no ano de 2010

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Foram aplicados questionários a um grupo de 30 alunos do (ensino fundamental e médio) que afirmaram ter evadido da escola mais de duas vezes, o maior número encontra-se na 3ª Fase do 2º Segmento do ensino fundamental.

Gráfico 3 - Ocupação dos alunos pesquisados. Com relação ao trabalho podemos identificar que a maioria dos entrevistados tem trabalho remunerado e apenas algumas dessas alunas se dedicam a suas casas e uma pequena minoria só estudam e ainda não estão inseridos no mercado de trabalho.

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Gráfico 4 - Faixa etária. Observamos que quanto maior a idade mais se repete o número de desistência entre os alunos, tendo em vista que os alunos com maior responsabilidade de ter que trabalhar para sustentar suas famílias são os que mais evadem, seguidos pelas mulheres que tem filhos pequenos.

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Gráfico 5 – Quanto à pergunta sobre os motivos que os levaram a interromper os estudos alunos apontaram ser a necessidade de trabalhar o principal responsável, depois temos os filhos pequenos, pois as mães não tem com quem deixá-los para vir a escola, o pai geralmente fica em casa, mas não se dispõe em cuidar das crianças, em seguida temos o casamento que também afasta os jovens da escola, logo vem a gravidez ,como gravidez  temos também o horário das aulas que alguns acham longo e cansativo, a distancia da escoa se torna outro transtorno pois dependendo do número de alunos o transporte escolar não busca esse aluno para as  aulas.  

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Gráfico 6 - Recebe algum estímulo no trabalho para continuar a estudar? A maioria respondeu que sim eles são incentivados pelos patrões, às vezes pelos amigos e pais a continuarem os estudos, porém temos um percentual bem elevado de alunos que não recebem nenhum tipo de estímulo para estudarem.

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Gráfico 7 - Motivos para retornar aos estudos. Temos visto que uma grande porcentagem retorna a escola sempre interessados em ter melhores condições de competir no mercado de trabalho, e ter um futuro melhor, os mais jovens não se sentem muito motivados e responderam que estão estudando por causa dos pais.

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Gráfico 8 – Mudanças esperadas com a volta aos estudos. A maioria espera conseguir um trabalho melhor e abandonarem de vez os trabalhos braçais. Um pequeno percentual diz querer melhorar seus conhecimentos e aprenderem mais.

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Gráfico 9 - O que pretende fazer após concluir o ensino médio. É interessante saber que metades dos alunos que participaram da pesquisa dizem ter interesse em fazer uma faculdade, temos ai sujeitos que evadiram vezes seguidas, mas que ao retornar a escola começam a sonhar com novas possibilidades.

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Gráfico 10 - O que mais gosta na escola? Ao relatarem que gostam mais do ensino vemos ai a maturidade do grupo pesquisado, pois, após terem abandonado os estudos repetidas vezes voltam valorizando mais a aprendizagem, temos trabalhado em conjunto para ter um ambiente escolar agradável e democrático e pelas respostas do grupo estamos no caminho certo. 

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Gráfico 11 - O que a escola poderia fazer para ajudá-lo a não desistir? Vimos aqui que temos a grande maioria que respondeu depende deles a força de vontade para permanecer e que a escola já faz o suficiente, um percentual grande diz que precisa de mais cooperação quanto ao relatório feito pelos professores (não trabalhamos com notas) e que gostariam de não ser reprovados por faltas culpam os professores de não procurarem saber os motivos das mesmas, uma minoria pede mais incentivo por parte da escola e uma minoria reclamam do horário dizendo que gostariam que as aulas terminassem mais cedo.

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4.2 Discussão dos resultados

No início da pesquisa questionava-se acerca das possíveis causas da evasão/exclusão escolar dos alunos da escola estadual 22 de maio de Rio Branco. Uma primeira questão a ser destacada refere-se justamente ao próprio problema da pesquisa. Tinha-se ansiedade em saber se fatores internos a escola contribuíam para a evasão, no entanto, verificamos que os fatores extra-escolares respondem em grande parte pela exclusão dos alunos do processo educativo.

Conforme as questões respondidas, pelos alunos que já evadiram mais de duas vezes  tanto pelos que freqüentam o ensino fundamental quanto pelos que cursam o ensino médio relacionadas aos fatores externos de estímulo ou exclusão desse processo, percebe-se que o maior gerador de afastamento da escola é o trabalho. Frases como: “é difícil trabalhar e estudar ao mesmo tempo”; “o meu horário de trabalho não bate com o horário da escola”; chegava em casa cansada e não tinha vontade de ir para a escola”; reforçam a afirmação acima. Contraditoriamente, ao serem abordados nas questões relacionadas aos aspectos internos de estímulo ou exclusão, sobre o que esperam que mude em suas vidas voltando a estudar mais da metade das (69%) respostas se relacionam a melhoria no trabalho, 23% gostariam de aprender mais e 3% gostaria de adquirir mais conhecimento como estímulo para retomada dos estudos.

A posição da maioria dos entrevistados pode ser representada pelas seguintes frases: “quero conseguir um trabalho melhor”, com mais conhecimento posso ter um trabalho melhor”; “espero ter mais oportunidades de trabalho”. a certificação, a qualificação profissional para um emprego melhor e a busca pelo conhecimento para desvelar novos caminhos, como alcançar a universidade, gerenciar seu próprio negócio, propiciar um futuro melhor aos filhos, crescer como ser humano numa sociedade cidadã. Dessa forma, essas expectativas estão na opinião da grande maioria quando afirmam que pretendem terminar a educação básica e seguir adiante nos estudos. A totalidade dos alunos considera importante ter um bom relacionamento com a professora e que este propicia a melhoria do aprendizado.

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir esta pesquisa deparamos com a realidade de que o problema da evasão na educação de jovens e adultos é um problema generalizado em todas as unidades escolares que atuam em municípios pequenos como o nosso as causas que levam esses alunos a evadirem são as mesmas, e a principal delas é o trabalho que é comum a todas as escolas, na nossa pesquisa vemos em segundo lugar casamento e filhos, pois ao se casarem as mulheres são impedidas de virem à escola pelos seus parceiros e quando algumas conseguem retornar tem que trazer as crianças com elas o que dificulta seu aprendizado e o de outros alunos, tendo em vista que a escola não tem como cuidar dessas crianças que ficam dispersas no ambiente da escola. Tentamos esse ano negociar com as mães para organizar uma sala onde essas crianças pudessem ficar e tentamos conseguir uma pessoa para tomar conta das mesmas, mas não foi possível desenvolver tal idéia, pois então todas queriam trazer seus filhos para a escola o que causou muito transtorno.

Embora considerando que o ensino ofertado não atende as necessidades de aluno trabalhador, constata-se que aqueles que o freqüentam apresentam mudanças, relacionadas principalmente à adesão, até então, ao forte preconceito que pesa socialmente sobre o analfabeto ou sobre “quem não estudou”. Ao indicar seus planos para o futuro, os jovens e adultos sujeitos da pesquisa, acreditam na possibilidade de um futuro melhor tendo conscientização que precisa de uma bagagem de conhecimento que somente a escolar pode ofertar algo que faça fluir sonhos, expectativa para que eles sintam ressuscitar uma nova esperança um significado a vida.

Conforme respostas da pesquisa onde alguns alunos cobram maior interesse dos professores em procurar saber o motivo de suas faltas e dizendo que precisam de mais incentivos e cooperação enfatizamos aqui a necessidade de uma formação docente centrada, também, na construção dos vínculos afetivos, fundamentais para o desenvolvimento do processo de ensino/aprendizagem. Essa formação requer a articulação entre conhecimentos pedagógicos factuais, referentes a conteúdos; procedimentais, à metodologia e, por último, atitudinais, aos comportamentos que se enseja desenvolver nos sujeitos aprendizes, sobretudo a afetividade.

Faz-se necessário que as políticas de EJA tornem-se políticas de Estado para não correr riscos de ruptura quando das mudanças governamentais. Professores valorizados e habilitados para trabalhar somente com os sujeitos da EJA, com necessidades educacionais diferenciadas, poderão valorizar a afetividade, a condição de grupo e o vínculo, promovendo a inclusão no seu retorno à escola. Em termos pedagógicos, é preciso programar metodologias educacionais que contribuam para a socialização dos alunos, tendo em vista novas possibilidades de compreensão do mundo, lazer, relacionamento com pessoas e crescimento humano.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARROYO, Miguel G. da. Escola coerente à Escola possível. São Paulo: Loyola, 1997 (Coleção Educação popular – nº 8.)

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FREIRE, Madalena. Paixão de aprender. São Paulo, SP: Vozes. 10ª edição 1999. participação. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 2001. 18. Ed.

LÜCK, Heloísa. A evolução da gestão educacional, a partir de mudanças paradigmáticas. Artigo Progest, p. 3-21, 26 de maio 2001.

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MEKSENAS, Paulo. Pesquisa Social e Ação Pedagógica: conceitos, métodos e práticas. São Paulo, SP: Edições Loyola, 2002.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Referenciais paraformação de professores. Brasília. A Secretaria, 1999.

SOARES, Leôncio J. G. As políticas de EJA e as necessidades de aprendizagem dos jovens e adultos. Belo Horizonte, MG: Faculdade de Educação da UFMG, 2000.

_______. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra. 2001. 30. Ed.

VIEIRA, Maria Clarisse. Fundamentos históricos, políticos e sociais da educação de jovens e adultos – Volume I: aspectos históricos da educação de jovens e adultos no Brasil. Universidade de Brasília, Brasília, 2004.

 

 

Solange Mendes Boascivis Pimenta
Discente Pós Graduanda em Gestão Escolar.
Instituto Matogrossense de Pós Graduação e Serviços Educacionais LTDA - Impactos.
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José Olimpio dos Santos
Professor doutorando e coordenador do Curso de Pós Graduação Lato Sensu: Gestão Escolar
Instituto Matogrossense de Pós Graduação e Serviços Educacionais LTDA - Impactos.
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