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Reflexões sobre a Contribuição e Difusão das Religiões Brasileiras e do Etnocentrismo na Construção da Identidade Religiosa Afro-Brasileira

RESUMO

O presente artigo pretende discutir aspectos da difusão religiosa na construção da identidade afro-brasileira, bem como, a intolerância religiosa na atualidade, principalmente no que diz respeito às manifestações ritualísticas das religiões de matrizes africanas _ a Umbanda. O preconceito originário do incentivo que outras religiões insuflam em seus adeptos ou na ignorância causada pela falta de conhecimento.

 

PALAVRAS CHAVE: Difusão Cultural, Identidade, Etnocentrismo.

 

1.    INTRODUÇÃO

Este trabalho é composto por dois pressupostos básicos. O primeiro é o de que a difusão religiosa constitui-se em espaço e tempo de formação de identidades sócio-culturais no Brasil, a partir de reproduções de praticas religiosas, por parte das religiões africanas, sobretudo dos centros-ocidentais, do Catolicismo e Kardecismo, bem como a incorporação dessas crenças no processo de legitimação e popularização de praticas sócio culturais. O segundo pressuposto é o de que as supostas hegemonias das religiões de matriz judaico-cristã contribuem para discriminação racial e a demonização de entidades espirituais, promovendo a invisibilidade das religiões de matriz africana.

Diante desses dois pressupostos, o objetivo principal deste trabalho é contribuir para a superação da atitude etnocêntrica frente ao preconceito e à intolerância religiosa de que são vítimas os adeptos da Umbanda. Visando alcançar esse objetivo, através da reflexão e da informação, este trabalho está organizado em duas partes. Na primeira, apresenta e analisa a incorporação de crenças na formação de uma nova identidade religiosa: A Umbanda. Na segunda parte, apresenta o significado de alguns fundamentos dessas religiões, cujos conteúdos, em função do desconhecimento existente no seio da população brasileira, e, em virtude do etnocentrismo que marcaram nosso processo de construção identitária, formam as bases para atitudes intolerantes e preconceituosas. Pelo fato de que sobre a experiência do transe ou possessão recaem, de forma mais acentuada, as atitudes de intolerância e preconceito, há uma maior ênfase na apresentação e análise desses que é um dos principais fundamentos da religião de matriz africana no Brasil.

Este trabalho esta elaborado em duas unidades temáticas, a fim de possibilitar um maior desenvolvimento de aportes empíricos e teóricos sobre o tema em questão. A problemática desses dois pressupostos acima anunciados refere-se à existência de religiões de matriz africana, difundidas no Brasil, a partir de um legado dos povos que foram trazidos da África, como escravos durante mais de três séculos de vigência do regime escravista e que constituem as bases religiosas da Umbanda. Assim, o conteúdo dessas religiões vem sendo dinamicamente preservado, mesmo diante da perseguição, da hostilidade e vigilância da Igreja Católica, da tentativa de seu embranquecimento por parte dos espíritas kardecistas e, mais recentemente, da intolerância dos neopentecostais, as religiões de matriz africana preservam um vasto repertório de códigos sócio-culturais, os quais as denominações religiosas cristãs combatem de forma declarada, denominando as unicamente como sendo demoníacas.

 

2. A DIFUSÃO DAS RELIGIÕES NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE AFRO-BRASILEIRA.

Durante o tráfico de escravos para o Brasil, negros de quatro principais grupos foram trazidos: os sudaneses1 (especialmente dos yoruba e dahomeanos), povos que viviam no Sael (território de savana ao sul do Saara) ou Sudão (Bilad al-Sudão que em árabe significa terra dos negros), os islâmicos (especialmente Peuhls, Mandingas e Haúças), os Bantos de Angola e Congo e, finalmente os Bantos de Moçambique.

No período que corresponde a 1580 a 1690 Luanda foi o porto pelo qual os portugueses mais comerciavam escravos. A essas datas, compreende se também ao período das guerras Angolanas, das guerras contra os povos que resistiam à penetração dos portugueses em seus territórios, assim como, as guerras que proporcionavam a venda de muitos prisioneiros para os comerciantes de escravo na costa do atlântico. E também o período de grande produção açucareira no nordeste do Brasil. Assim, estando Recife-PE em poder dos Holandeses, esses também ocuparam Luanda de forma a garantir a vinda dos escravos para serem usados como mão-de-obra nos engenhos do Brasil.

No ano de 1690 ate o fim do trafico negreiro em 1850, tanto os portos angolanos quanto os portos da Costa da Mina forneceram escravos para o Brasil, possibilitando assim, uma ligação estreita entre Salvador-BA e a Costa da Mina, o Rio de janeiro - RJ e Angola. Como afirma Mattos:

Na região Nordeste, os fazendeiros e senhores de engenho faziam encomenda de escravos africanos aos traficantes baianos. Estes estavam acostumados a buscá-los na região ocidental da África, em especial na Costa da Mina, por conta da preferência dos mercadores africanos pelo tabaco produzido na Bahia. (Mattos, 2009, p.101).

Desta forma chegaram mais escravos de origem Sudanesa, ao nordeste, e, mais escravos Bantos ao sudeste, e estes foram redistribuídos para o resto do Brasil, a partir desses dois portos brasileiros.

Posteriormente, ao fim do trafico negreiro, a pesar das distancias entre a costa brasileira e a africana no atlântico, dos altos custos cobrados pelos escravos e da forte vigilância Britânica, a procura por escravos ainda era muito grande. E novas levas de escravos, agora oriundos de outras regiões como: Alta Guiné, Angola, Zambézia e Moçambique, foram trazidos para o Brasil. Estes africanos quando condenados pelas leis de sua sociedade, ou capturados em suas aldeias em função das batalhas e vendidos como reles mercadorias, viam seu mundo acabar e um horizonte de incertezas se descortinarem diante de si, uma vês que, associado à mudança da condição social somava se agravantes de outra mudança, a de seu continente, o qual deixava para traz seus familiares e suas aldeias, que eram o centro de seu universo e de sua cultura.

Nesse contexto de perdas e incertezas é que a religião se configura e se agiganta mediante as incógnitas do que estar por vir. A esse respeito Roberto Da Mata (2001) cita.

Todos os momentos que assinalam dramaticamente uma crise de vida e uma passagem na escala da existência social – são marcados pela presença da religião, que legitima com o aval divino ou sobrenatural uma passagem que se deseja necessária (Da Mata, 2001, p. 112).

Assim, depois de condenados a escravidão e dos horrores da travessia do atlântico, amontoados em porões imundos dos navios, comendo e bebendo o mínimo, vendo companheiros de viagens morrerem em razões de doenças e maus tratos, e testemunharem os descasos aos seus mortos, pois, “os que morriam durante a longa travessia do atlântico tinham seus corpos jogados ao mar” (Mattos, 2009, p.101), e, certos de que não era bom o destino que os esperavam nessa nova condição social, que a priori, era um elemento comum em suas vidas, os Malungos2, constituíam assim um sentimento de igualdade. Porem, esse não é o único fator favorável à reconstrução de suas identidades3 , há de se considerar que apesar de pertencerem a diferentes etnias e conter em suas tradições culturais algumas diferenciações, “havia em suas manifestações religiosas harmonizações das crenças, incluindo-se Alá no conjunto de deuses ou associando-o ao Ser Supremo, e comparando as figuras de anjos e demônios as forças sobrenaturais”. (Mattos, 2009, p.18)

Dessa forma, ao chegarem ao Brasil, emprestavam uns aos outros crenças e ritos religiosos, conhecimentos práticos a sobrevivência, promovendo se, assim, uma nova identidade cultural, diferente da que existia na áfrica, pois misturavam elementos de varias delas. O mais comum eram buscarem se aproximar dos que lhes eram mais familiares, vindo das mesmas regiões, praticantes de tradições parecidas. Iorubas se agrupavam a Iorubas e Bantos aos Bantos, criando formas de solidariedades e estabelecendo novas normas de condutas, sendo os conhecimentos trazidos da terra natal os alicerces possíveis.

Nesse intercambio de saberes e crenças, DaMata afirma ser “a religião um instrumento utilizado pela sociedade para legitimar ou justificar a sua organização, a sua maneira de ser e seus estilos de fazer”. (DaMata, 2001, p. 112). 

Apesar de ser proibida a realização de seus próprios cultos, durante o período da escravidão, entre eles sobreviveram à prática de certos rituais, principalmente os de preparação para a morte. Sobre a subsistência do culto aos antepassados no Brasil, Bastide cita:

A importância do enterro, dos rituais de separação entre os vivos e os mortos, a idéia de que as almas dos falecidos reuniam-se à grande família espiritual dos ancestrais no outro lado do oceano. Esse cuidado de render aos mortos o culto que se lhes devia, a fim de que não se vingassem, para que não viessem perturbar seus filhos com doenças ou pesadelos, explica a importância que o cerimonial de enterramento conservou entre todos os afro-ameríndios. (Bastide,1985, p.185)

Dada a importância aos rituais fúnebres na cultura africana, Mattos reitera que: alem dos aspectos comuns de preparação para a morte, “havia ainda, por parte das religiões africanas, sobretudo dos centros-ocidentais, uma flexibilidade em relação à incorporação de novas crenças” (Mattos, 2009, p.85), o qual contribuiu para a aceitação de novos rituais, crenças e símbolos do cristianismo tais como: o sepultamento no interior das igrejas católicas, costume muito recorrente nesse período, pois, “acreditavam que assim estariam mais próximos da salvação” (Mattos,2009, p.159), a presença de sacerdotes e a representação do luto, bem como, a crença no transcendental ou sobrenatural, dado que, “africanos e portugueses acreditavam igualmente na existência de um julgamento após a morte”. (Mattos, 2009, p.85). Não foram, contudo só as religiões de origem africanas que ajudaram na construção de novas solidariedades e identidades, o ensino do catolicismo a todo africano escravizado era obrigação dos senhores de escravos, o que também serviu de caminho para a organização de novas comunidades negras, principalmente quando agrupadas em irmandades leigas de devoção a um determinado santo. Essas associações religiosas de ‘homens pretos’ eram não só aceitas como estimuladas pela igreja católica e pela administração colonial. Tudo isso contribuiu para a difusão cultural na construção de novas identidades. No entendimento de Pollak5ninguém pode construir uma auto-imagem isenta de mudança, de transformação em função dos outros”. (Pollak, In:Revista Estudos Históricos. Rio de janeiro,Vol. 5, Nº 0,1992).

Os principais santos de devoção das irmandades de ‘homens pretos’ era Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito. Alem de cuidar do culto do santo elas faziam o enterro dos irmãos mortos, mandavam rezar missas pelas suas almas e amparavam suas famílias caso não tivessem nenhum recurso. Portanto, os africanos recorriam às irmandades religiosas como forma de garantir um destino digno aos seus corpos depois da morte, uma vez que, “diante do sistema escravista, muitos cativos acabavam não recebendo um sepultamento, pois dependiam da boa vontade e das condições financeiras do proprietário, sendo muitas vezes, abandonados na Rua”. (Mattos, 2009, p.15).

Esse é o quadro que Prandi (1999) considera a primeira fase das religiões afro-brasileiras no Brasil, como sendo a do sincretismo com o catolicismo e, em grau menor, com as tradições indígenas. Neste estágio as religiões africanas apresentaram como era de se esperar, uma dependência grande em relação ao catolicismo, principalmente no que tange a importância aos rituais fúnebres de suas culturas.

Para garantir o sepultamento dos mortos, introduziu em seus costumes, o enterro no interior das igrejas católicas, únicas oficialmente existentes no período em questão, bem como, apropriaram do costume cristão de ter o ‘beneficio’ do acompanhamento de padres, e missas, assim como, adotaram santos e rezas católicas, incorporando-as ao seu panteão de representações e ritos religiosos. Em contra partida, os calunduzeiros eram procurados por brancos católicos, tais como senhores de escravos e ate mesmo padres, que tendo esgotando os outros recursos que estavam mais acostumados, como missas, rezas, chás, sangrias e emplastos de ervas, buscavam nas religiões africanas a solução para os males que os afligiam em vida. Assim, não foram apenas religiões de origem africanas que sofreram influência do catolicismo, estas também contribuíram, e muito, no processo de construção de uma nova identidade religiosa. Como afirma Pollak,  “a construção da identidade e um fenômeno que se produz em referencia aos outros, em referencia aos critérios de aceitabilidade, de credibilidade, e que faz por meio de negociação direta com os outros”. (Pollak,1992).

A partir do fim da escravatura, a ‘liberdade religiosa’ é legalmente permitida, mas limitada. Dessa forma, como afirma Berkenbrock,

 

Os negros começaram a organizar-se em grupos, formaram-se, principalmente em torno do Rio de Janeiro, sobretudo grupos – do ponto de vista religioso – marcados pela cultura Banto. Eram africanos e seus descendentes advindos, sobretudo de Angola, Moçambique e Congo. As formas de expressão religiosa destes grupos eram no início, uma continuidade simplificada das expressões religiosas dos bantos africanos. (Berkenbrock, 1998, p. 14).

 

Neste contexto, a tradição religiosa que predominou nas primeiras organizações pós escravatura foi a banto, que conhecia uma série de divindades ou espíritos, bons e maus. Nela se confirmou a influência Católica, e juntamente com a identificação entre Orixás e Santos Católicos foi também assumida outra influencia religiosa, a kardecista. A esse respeito Berkenbrock cita:

A doutrina de Allan Kardec não veio apenas confirmar a fé na existência dos espíritos, como contribuiu para que houvesse uma organização no mundo dos espíritos. (...) As idéias espíritas também contribuíram para se configurar o papel do intermediador (médium) entre espíritos e pessoas. (Berkenbrock,1998, p. 150)

Assim, a diferença entre Orixás (espíritos da natureza) e as entidades banto (espíritos de antepassados) recebeu, como veremos mais tarde, pelo espiritismo, uma explicação lógica com a idéia dos diferentes estágios de desenvolvimento dos espíritos e das almas.

No conjunto de crenças dos bantos havia a crença num ser superior, criador do mundo. Diversos nomes eram usados para designar este ser: Nzambi ou Zâmbi (em Angola), Nzambiam-pungu ou Zambi-ampungu (no Congo), entre outros. Além disso, era conhecida dos bantos uma série de divindades ou espíritos, bons e maus. Que posteriormente influenciaram os princípios básicos da Umbanda que, faz distinção entre as forças benéficas e maléficas. As forças benéficas são os chamados guias de caridades, os caboclos, os pretos-velhos e outros espíritos. Por outro lado, as forças do mal formam um panteão de exus-espiritos e pombagiras, entidades cultuadas para fazer o mal quando este e necessário. (Mattos, 2009, p.171). Enquanto que, a doutrina Kardecista postula ‘cientificamente’ que a vida transcorre num universo temporal e causal, no qual os indivíduos recebem de volta, os resultados das próprias ações passadas, nas reencarnações futuras. Tal peculiaridade levou o espiritismo, no Brasil, a se adaptar a um contexto multicultural no qual predominava praticas religiosas do catolicismo e dos cultos afro-indigenas.

Stoll atenta para outros autores que atribuem o ‘abrasileiramento’ e popularização do espiritismo ao fato de que aqui no Brasil a população desfrutava de uma ‘intimidade’ em lidar com Santos, Eguns e Orixás como afirma:

 

O espiritismo é uma religião importada, que se difunde no país confrontando se com uma cultura religiosa já consolidada, hegemônica e, portanto, conformadora do ethos nacional. Sua difusão como postula certos autores, foi em parte favorecida pelo fato de praticas mediúnico, já estarem socialmente disseminada, de longa data, no âmbito das religiões de tradição afro. No entanto, em contraposição a estas, o espiritismo define sua identidade, elegendo como sinais diacríticos elementos do universo católico. Deste, porem, não endossa apenas (...) certas praticas rituais. O espiritismo brasileiro assume uma “matriz perceptivelmente católica” na medida em que incorpora à sua pratica um dos valores da cultura religiosa ocidental: a noção cristã de santidade. (Stoll, 2003, p. 61). 

 

Assim, pode-se concluir que, enquanto na frança, em busca de legitimidade e de singularidade, Allan Kardec reivindicou para a doutrina espírita o estatuto de ciência, no Brasil, essa tendência foi mantida apenas por alguns grupos de elite. O viés dominante constituiu se em atribuir à doutrina feições essencialmente religiosa. O espiritismo apropriou se dos preceitos do catolicismo já consolidado, favorecendo a propagação e aceitação da doutrina entre a população, e das religiões de possessão de matriz africanas para legitimar sua popularização.

Dentre as praticas ritualísticas de possessão, os grupos de influência banta invocavam os espíritos dos falecidos e antepassados. Em alguns escritos, por volta de 1900, estes grupos são chamados de ‘Cabula’ e, posteriormente, são chamados de Macumba, nome sob o qual se tornariam conhecidos em todo o Brasil.

O culto aos Ancestrais, no Brasil, estabeleceu raízes junto aos rituais de culto aos Orixás, nas manifestações religiosas dos Calundus e Candomblés. Mas como as relações clânicas no Brasil estavam fragmentadas, devido à grande diversidade de grupos étnicos presentes, já não existiam mais ancestrais comuns entre os participantes do culto, o que acaba substituindo a figura do ancestral tradicional por um ancestral genérico, arquetípico, comum a todos os cidadãos. Os primeiros a serem assentados nos terreiros serão os Caboclos, representando os indígenas brasileiros, os donos da terra. Estas entidades se apresentam em vários terreiros de Candomblé, e também fora deles, juntamente com outra figura que toma forma nestes cultos. Trata-se do pai-velho, ou preto-velho, que representa os primeiros escravos a virem para o Brasil, que geralmente eram antigos sacerdotes na África, conhecedores dos segredos da magia e dos feitiços.

Assim, estas duas figuras, Caboclos e Pretos-Velhos, irão cada vez mais aparecer nas tendas e terreiros dos feiticeiros dando origem a um conjunto de práticas religiosas diversas, desfragmentadas, que Bastide6  denomina de Macumba. O termo Macumba aqui é empregado academicamente para designar toda esta gama de práticas religiosas difusas e sem um corpo doutrinário definido, que misturam elementos africanos, indígenas e católicos, e se espalham por praticamente todo o Brasil.
Palavras como Quimbanda, Embanda, Macumba e Umbanda são variações do vocábulo em banto usado para designar o sacerdote em Angola e no Congo. No Brasil passaram a ter o sentido tanto do local, quanto do grupo que praticava o culto. Esses nomes são assumidos pelos grupos religiosos entre 1920 e 1940. Com o tempo os nomes Quimbanda e Umbanda prevaleceram e Macumba adquiriu um significado pejorativo, devido às mudanças ocorridas nas tradições religiosas a partir da difusão pluricultural.  Como afirma (Berkenbrock,1998). “Os adeptos da Quimbanda são apontados pelos da Umbanda como praticantes de magia negra, com intenção de prática do mal, apesar de ambos pertencerem ao mesmo movimento religioso”

Paulatinamente, de forma segura, a tradição Yoruba começa a influenciar os grupos da Macumba. A influência de elementos católicos sobre os cultos da Macumba que já havia sido iniciada, a partir daí é assumida. Juntou-se também outra influência, a teoria espírita kardecista. Essa influência incluía a legitimação da religião afro-brasileira perante uma sociedade branca e, ao mesmo tempo, possibilitou a união dos espíritos da natureza com os dos antepassados, através da teoria kardecista de múltiplas vidas (reencarnação) para que o espírito se aprimore ou evolua, eliminando os erros que contribuem para o seu carma.

Neste contexto, os quatro elementos (tradição Banto, Yorubá, Espiritismo e Cristianismo) forneceram a base teórica para um novo movimento religioso, para o que se pode chamar de uma nova religião: a Umbanda7 .

 

3 - OPOSIÇÃO E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA.

O Brasil é reconhecidamente uma nação multi-étnica, que consolidou em sua formação a curiosa mistura de elementos europeus, indígenas e africanos, e que culturalmente tenta integrá-los como talvez nenhuma outra nação o faz.

A fábula da miscigenação cultural do Brasil surge, a partir das idéias naturalistas do inicio do século XX, com a construção histórica de cronistas e escritores, como Gilberto Freire (2002), em Casa Grande e Senzala, Sergio Buarque de Holanda (1995), em Raízes do Brasil entre outras obras, que reuniram os saberes biológicos com os sociais. Genericamente, esses autores formularam uma constatação da mestiçagem racial, que no primeiro momento e vista como a marca racial para se tornar então, a marca cultural do Brasil.

A idéia de que a mesma fusão racial trouxe a marca cultural é tão parte da cultura brasileira quanto o é a idéia da miscigenação racial. Nesse sentido, o Brasil não se esquiva de festejar datas comemorativas de Santos Católicos, com uma pitada de estética afro-religiosa, assim como não deixa de festejar o carnaval na forma de competição cabocla, celebrando a cultura indígena. O carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo se apresenta como sendo a apoteose de nossa combinação cultural. Pelo sambódromo temos como já apontou Roberto Da Mata, “a inversão temporária de nossas hierarquias e diferenças. Fantasiados, os ricos viram pobres e pobres viram reis e rainhas. O patrão dança ao lado do empregado e o branco junto ao negro”. (Da Mata, 2001).

Especialmente diante das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, é que lembramos as etnias que consolidaram a nação hospitaleira, assim como a doçura da nossa culinária, musica, dança e a confusa alegria festiva. Certo? Nem tanto. Algo soa embaraçoso nessa visão do Brasil. Não no que se referem à constatação da grandiosidade e da riqueza étnica, mais sim a dificuldade de metabolizarmos o que concebemos como sendo a nossa identidade cultural. Se a capacidade antropofágica brasileira é ponto cultural alto, como queira alguns autores do passado, não o são no presente, uma vez que, religiões afro-brasileiras é alvo de discriminação e preconceitos. O fato é que, no tocante as religiões, existem uma divisão: branca pública orientada em função do grupo, socialmente aceita e a negra que tende a ser mais secreta, ilegal, subversiva, socialmente condenada, geralmente associada à adoração do demônio.

Ao longo dos séculos a Igreja Católica promoveu ataques às religiões de possessão, que incluíam desde acusações formais de ‘pagãos’, ‘hereges’, ‘primitivos’, até perseguições políticas e agressões físicas, por parte de adeptos. Para os princípios teológicos católicos, historicamente, a possessão ainda é demoníaca e deve ser combatida via exorcismo. Esta ação pode ser vista como “uma dramatização da moral cristã, ordenada rigidamente em torno da dicotomia Bem/Mal” (Birman,1985,p.12-4). Mesmo que hoje a aplicabilidade dessa dicotomia não chegue às raias da fogueira, ainda continua como símbolo ou bastião para a devida separação entre os ritos católicos e os das religiões que praticam este fenômeno, como uma tentativa de manter os fiéis mais próximos, sem um confronto direto com o ‘outro lado’.

Em contrapartida, para a Umbanda, a possessão é algo benéfico e necessário: “ao invés de expulsar as entidades sobrenaturais, consideradas necessariamente maléficas pelos cristãos, adota outro lema: conviver com eles”. (Birman,1985, p.15). E essa convivência inclui qualificar a entidade que ‘desce’: Ogum, Oxossi, Caboclo das matas, Exu... O leque é grande e não pode ser restringido à dicotomia católica bem/mal.

Os cultos afro-brasileiros, por serem religiões de transe, de sacrifício animal e de culto aos espíritos têm sido associados a certos estereótipos como ‘magia negra’, isso pode ser explicado pelo fato dessas religiões ser originarias de segmentos marginalizados da nossa sociedade; ‘coisa de negro’.  Essa idéia periférica não é só geográfica, mais principalmente ideológica. É um ‘sair para fora’ da classificação marginal  imposta pela sociedade.

No entanto, não é só o catolicismo o único a ter uma visão etnocêntrica8  a respeito das religiões de matrizes africanas, as demais doutrinas religiosas como, as pentecostais revelam intolerância ao proferir discursos tais como, os enunciados no livro de Edir Macedo, Orixas, caboclos e Guias: Deus ou Demônios? _ o qual em poucas palavras a define assim:

 

“Muitas pessoas estão hoje nas mãos dos espíritos demoníacos devido à impaciência. (...) Quiseram a solução rápida, a resposta imediata; não se preocuparam com o meio correto para alcançá-las. Conclusão: acabaram perturbadas, doentes e endemoninhadas. É aí que entra a umbanda, quimbanda, candomblé (...), que são os principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria. Os "trabalhos" e "despachos" são exigências dos demônios e podem ser os mais variados possíveis, indo de comidas e bebidas até os mais diversos presentes. (...) Todos os trabalhos e despachos têm uma única finalidade: satisfazer ao "santo" para conseguir favores, a curto prazo. É feito um negócio entre a pessoa e o demônio.”( Macedo...p. 77)9.

Edir Macedo10  parte do pressuposto etnocentrista em que as demais doutrinas religiosas são pagas. Somente a doutrina seguida pelo cristianiosmo é oficial. Ao longo de seu livro os orixas são comparados a demonios de forma continua ao afirmar:

“No candomblé, Oxum, Iemanjá, Ogum e outros demônios são verdadeiros deuses (...) Na umbanda, os deuses são os orixás, (...)Na realidade, orixás, caboclos e guias, sejam lá quem forem, tenham lá o nome mais bonito, não são deuses. Na quimbanda, os deuses (demônios) são os exus, adorados e servidos no intuito de alcançar alguma vantagem sobre um inimigo ou alguma coisa imoral, como conquistar a mulher ou marido de alguém, obter favores por meios ilícitos, etc. (...)são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se expressarem neste mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo.”  (MACEDO, 2004, p. 15).

Cada Orixá, Exu ou demônio, como Macedo os concebe, tem uma área de atuação. Assim, coloca que “pessoas viciadas em tóxicos, bebidas alcoólicas, cigarros ou jogo, na maioria dos casos, o responsável é o Exu”. Ainda no entendimento de Macedo as “Prostitutas, homossexuais e lésbicas sempre são possuídas por pombagiras. (MACEDO, 2004, p. 47).

Nessa concepção preconceituosa, o ritual de possessão das religiões afro-brasileiras é entendido como doença, e nessa perspectiva o remédio contra estes males causados pelos demônios pode ser encontrado na própria Igreja Universal. ‘Somente ela está autorizada a expulsar estes demônios e a proteger seus fiéis deles’. Macedo conta em seu livro inúmeros exemplos de ex-pais-de-santo, mães-de-santo e praticantes de toda sorte de “macumbarias” e “feitiçarias”, que após entrarem para a IURD ‘descobriram’ que seus guias na verdade eram demônios que os manipulavam, e assim conseguiram a salvação através da Igreja. Isto legitima o papel atribuído à IURD11  de ‘salvar’ seus fiéis da opressão demoníaca, identificada nas religiões Afro-Brasileiras:

O bispo Macedo propõe como uma síntese de sua “pregação plena” o que é bem pentecostal e fundamentalista: Jesus Cristo salva; é preciso ser batizado no Espírito Santo e a libertação pelo exorcismo das pessoas que estão oprimidas pelo diabo, para ele, associadas à Umbanda e Candomblé (FRESTON, S/D, p. 135-137, apud ORO, 1996, p. 129).

Percebemos assim, que grande parte do discurso da IURD está baseada na negação e demonização do “outro”, aqui representado pelas religiões mediúnicas, especialmente as Afro-Brasileiras, ou seja, o Candomblé e a Umbanda.

Sem dúvida alguma o aspecto que mais caracteriza o ritual da Umbanda é o estado de possessão ou fenômeno de transe ou incorporação, em que alguns de seus membros atuam. Confirmando isso Ortiz afirma:

 

A religião umbandista fundamenta-se no culto dos espíritos e é pela manifestação destes, no corpo do adepto, que ela funciona e fazem viver suas divindades; através do transe, realiza-se assim a passagem entre o mundo sagrado dos deuses e o mundo profano dos homens. A possessão é, portanto o elemento central do culto, permitindo a descida dos espíritos do reino da luz, da corte de Aruanda, que cavalgam a montaria da qual eles são os senhores. (Ortiz 1999, p. 69)

 

Há um desdobramento de personagens com identidades diferentes da do cotidiano daquela pessoa ‘possuída’. Esse é um fenômeno tão antigo quanto à própria história da humanidade. Na Grécia antiga, os oráculos faziam a comunicação entre os deuses e os mortais. Culturas africanas também registram similar comunicação, com seus respectivos rituais. É desta última fonte a herança da Umbanda, para interligar os antepassados com roupagem dos Orixás, dos Caboclos, dos pretos velhos, dos exus, entre outros.

Na concepção teológica umbandista não é preciso ter santidade ou moral elevada para ter contato com o transcendente (como no cristianismo e/ou espiritismo). Moral e poder funcionam separadamente; basta para tanto, segundo Birman (1985), “reconhecer em si próprio a presença destes espíritos que querem ‘trabalhar’ na Terra e permitir a incorporação”. Há ainda outra característica que é exclusiva da Umbanda e que a torna acessível e apreciada por pessoas humildes: a falta de ‘intelectualismo e cientificidade’, como afirma ser o espiritismo kardecista. No entendimento de Allan Kardec:

 

Essa crença se apóia sobre o raciocínio e sobre os fatos. Eu mesmo não a adotei se não depois de um maduro exame. Tendo adquirido no estudo das ciências exatas, o habito das coisas positivas, eu sondei, perscrutei essa nova ciência em seus detalhes mais ocultos (Allan Kardec, 1958, p. 34)

 

Nesse contexto, o espiritismo kardecista, postula superioridade em relação ao espiritismo de matrizes africanas. Candido Procópio Camargo12  avalia que quanto mais próximo do kardecismo estiver a Umbanda, menor será a riqueza ritualística e a ênfase nas praticas mágicas, em virtude de uma ênfase maior na interiorização da experiência religiosa, no aprendizado doutrinário e na vida moral. Mario Teixeira de Sá13 , por seu turno, sublinha que o recurso do “discurso cientifico” ao mesmo tempo em que legítima as praticas umbandistas, nega espaço para os saberes religiosos. A esse respeito cita: 

 

Se, atrelado ao discurso afirmativo (cientifico) estavam conceitos de civilização, progresso, evolução e modernidade, ao negativo, o que buscava deslegitimar os outros saberes, estavam os seus antagônicos como: barbárie, atraso cultural e inferioridade racial. (Teixeira, 2004, P.36).

 

Assim, ao tratar das questões religiosas, os praticantes das religiões de matrizes africanas, Candomblé e Umbanda principalmente, sofrem preconceitos14 por parte das religiões que outrora forneceram elementos constitutivos na formação de sua identidade. As igrejas, católicas e pentecostais, condenam os rituais de possessão, considerando os satânicos; fazem associação dos Orixás e Eguns a demônios, bem como denominam os terreiros de candomblé e Umbanda como “antros do mal”, e seus rituais religiosos são pejorativamente chamados de macumba. Enquanto que, o Kardecismo afirma sua superioridade apoiando se na visão evolucionista de Allan Kardec, quando este estabelece diferenças entre espíritos evoluídos e espíritos atrasados.

Diante da diversidade religiosa existente no Brasil, originárias de culturas diferentes, a intolerância a religião afro-brasileira, por vezes, é fruto da falta de conhecimento, bem como, da necessidade de rompermos com a dinâmica pela qual, os conflitos existentes na manutenção do poder, deva sempre existir um ganhador e um perdedor, o lado do ‘Bem e do Mal’.

 

CONCLUSÃO

O desenvolvimento da cultura religiosa brasileira foi evidentemente marcado por uma série de negociações, trocas e incorporações. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que podemos ver a presença de equivalências e proximidades entre os cultos africanos e as outras religiões estabelecidas no Brasil, também temos uma série de particularidades que definem várias diferenças. Por fim, o sincretismo religioso acabou articulando uma experiência cultural própria, de convívio com o traço multi-etnico e cultural que lhe é constitutivo, mas vive este de forma tensa em suas praticas. Cotidianamente, idealizamos mais e somos mais felizes fazendo parte dessa mistura de culturas. Porém, na pratica e sempre mais em aspirações do que no concreto, o Brasil branco europeizado, mais tarde branco e americanizado, não sabe o que fazer com a diversidade cultural que nossa formação configurou. Tenta integrá-las de direito, no entanto, de fato, as religiões afro-brasileiras, continuam compondo nosso mapa de exclusões.

 

NOTAS

1. Sudaneses é a forma como são identificados no Brasil, os escravos vindos da vasta região chamada Sudão ocidental, e pertenciam a uma grande variedade de etnias, tais como: mandigas, haúças, fulanis  e os vários grupos iorubas, havendo significativa predominância destes.
2.  Denominação de companheiros, camarada. Nome que se davam mutuamente os negros escravos vindos da África no mesmo navio.
3.  Termo muito usado em estudos sobre as pessoas vivendo em grupo, se refere à imagem que as pessoas tem de si próprias e que os outros tem delas. Os elementos fundamentais na elaboração de identidades são a língua que o povo fala, o lugar em que vive, um passado comum, os valores em que todos acreditam, ou deveriam acreditar. As identidades de uma pessoa podem ser muitas e mudam ao longo da sua vida. Elas servem para que as pessoas se sintam parte de um grupo, com semelhanças entre si, e que se diferenciem das pessoas que fazem parte de outro grupo, com outras características.

4.  Noção usada para distinguir um grupo do outro, a partir da língua e historias comum a um mesmo grupo, da sua localização num determinado espaço, da idéia de origem comum que une todos, de adoção das mesmas crenças e modos de vida.
5.   Apud In:Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro, Vol. 5, Nº 10,1992.
6.  Apud Bastide, 1985.
7.  Religião formada no Brasil (...) por uma seleção de valores doutrinários e rituais, feitos a partir da fusão dos cultos africanos congo-angola, já influenciado pelo nagô, com a Pajelança (...) sofrendo ainda influencias dos malês islamizados, do catolicismo e do espiritismo(...)(CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 242)

8.  Etnocentrismo é a visão de mundo que um grupo de pessoas, ou uma sociedade, possui de outra. Muito mais que uma visão de mundo, é uma opinião sobre a cultura daquele povo, vista a partir de um julgamento, utilizando-se a cultura de seu povo como padrão. Trata-se da dificuldade em aceitarmos a diferença.

9.  Apud Macedo... p. 77.
10.  Edir Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 1945, é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que possui cerca de dois milhões de fieis. Nasceu em uma família católica, e por muitos anos também foi. Sabe-se que por muito tempo também freqüentou terreiros umbandistas, para depois tornar-se evangélico. Até que em 1977 fundou sua própria igreja – Igreja Universal do Reino de Deus. Hoje além de Bispo, também é proprietário da emissora Rede Record e escritor evangélico.

11.  IURD. Igreja Universal do Reino de Deus.
12.  CAMARGO, Candido Procópio. Kardecismo e Umbanda. São Paulo: Pioneira, 1961, p. 51.

13.  TEIXEIRA DE SÁ, Mario. A invenção da alva nação umbandista: a relação entre a produção historiográfica brasileira e a sua influencia na produção dos intelectuais da umbanda (1940-1960). Dissertação ( mestrado em história) -  UFMS/ CPDO. Dourados: UFMS, 2004, P.36.

14.  Idéia, opinião ou pensamento em relação a algo já preconcebido como desfavorável ou negativo.


BIBLIOGRAFIA

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. Tradução Maria Eloísa Capellato e Olívia Krähenbühl. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1985.
BERKENBROCK, Volney. A Experiência dos Orixás: um estudo sobre a experiência religiosa no Candomblé. Petrópolis: Vozes, 1998.
BIRMAN, Patrícia. O que é Umbanda. São Paulo: Brasiliense, 1985.
CAMARGO, Candido Procópio. Kardecismo e Umbanda. São Paulo: Pioneira, 1961.
FREIRE, Gilberto, 1900-1987. Casa-Grande e Senzala. – 46º Ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.
HOLANDA, Sergio Buarque de, 1902-1982. Raízes do Brasil. – 26. Ed. São Paulo: companhia das Letras, 1995.
MATTOS, Regiane Augusto de. Historia e Cultura Afro-brasileira. 1.ed.,3ª reimpressão.- São Paulo: Contexto, 2009.
PRANDI, Reginaldo. Referências sociais das religiões afro-brasileiras. In.: CAROSO, Bacelar e BACELAR, Jéferson (org.). Faces da tradição afro-brasileira: religiosidade, sincretismo, anti-sincretismo, reafricanização, práticas terapêuticas, etnobotânica e comida. Rio de Janeiro/Salvador: Pallas/CEAO, 1999.
POLLACK, Michael. Memória e Identidade Social In:Revista Estudos Históricos. Rio de janeiro,
Vol. 5, Nº 10,1992.
DA MATA, Roberto. O que faz o Brasil, Brasil? . Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
STOLL, Sandra Jaqueline. Espiritismo à Brasileira. São Paulo: Edusp, 2003.


 

Francisca Neta Nunes - Pós-Graduanda em Geo-Historia com Ênfase em História Afro. Pelo IMPACTO: Instituto Matogrossense de Pós Graduação e Serviços Educacionais Ltda. - O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

José Olímpio dos Santos - Prof. Doutorando, Orientador e Coordenador do Curso.

[1] Sudaneses é a forma como são identificados no Brasil, os escravos vindos da vasta região chamada Sudão ocidental, e pertenciam a uma grande variedade de etnias, tais como: mandigas, haúças, fulanis  e os vários grupos iorubas, havendo significativa predominância destes.

[1] Denominação de companheiros, camarada. Nome que se davam mutuamente os negros escravos vindos da África no mesmo navio.

[1] Termo muito usado em estudos sobre as pessoas vivendo em grupo, se refere à imagem que as pessoas tem de si próprias e que os outros tem delas. Os elementos fundamentais na elaboração de identidades são a língua que o povo fala, o lugar em que vive, um passado comum, os valores em que todos acreditam, ou deveriam acreditar. As identidades de uma pessoa podem ser muitas e mudam ao longo da sua vida. Elas servem para que as pessoas se sintam parte de um grupo, com semelhanças entre si, e que se diferenciem das pessoas que fazem parte de outro grupo, com outras características.

 

[1] Noção usada para distinguir um grupo do outro, a partir da língua e historias comum a um mesmo grupo, da sua localização num determinado espaço, da idéia de origem comum que une todos, de adoção das mesmas crenças e modos de vida.

[1]  Apud In:Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro, Vol. 5, Nº 10,1992.

[1] Apud Bastide, 1985.

[1] Religião formada no Brasil (...) por uma seleção de valores doutrinários e rituais, feitos a partir da fusão dos cultos africanos congo-angola, já influenciado pelo nagô, com a Pajelança (...) sofrendo ainda influencias dos malês islamizados, do catolicismo e do espiritismo(...)(CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 242)

 

[1] Etnocentrismo é a visão de mundo que um grupo de pessoas, ou uma sociedade, possui de outra. Muito mais que uma visão de mundo, é uma opinião sobre a cultura daquele povo, vista a partir de um julgamento, utilizando-se a cultura de seu povo como padrão. Trata-se da dificuldade em aceitarmos a diferença.

 

[1] Apud Macedo... p. 77.

[1] Edir Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 1945, é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que possui cerca de dois milhões de fieis. Nasceu em uma família católica, e por muitos anos também foi. Sabe-se que por muito tempo também freqüentou terreiros umbandistas, para depois tornar-se evangélico. Até que em 1977 fundou sua própria igreja – Igreja Universal do Reino de Deus. Hoje além de Bispo, também é proprietário da emissora Rede Record e escritor evangélico.

 

[1] IURD. Igreja Universal do Reino de Deus.

[1] CAMARGO, Candido Procópio. Kardecismo e Umbanda. São Paulo: Pioneira, 1961, p. 51.

 

[1] TEIXEIRA DE SÁ, Mario. A invenção da alva nação umbandista: a relação entre a produção historiográfica brasileira e a sua influencia na produção dos intelectuais da umbanda (1940-1960). Dissertação ( mestrado em história) -  UFMS/ CPDO. Dourados: UFMS, 2004, P.36.

 

[1] Idéia, opinião ou pensamento em relação a algo já preconcebido como desfavorável ou negativo.

 

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