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aspas1 A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida. aspas2

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Inter-Relação Entre Leitura e Escrita

RESUMO

Toda prática traz em si uma teoria do conhecimento. Esta é uma afirmação incontestável ainda quando referida a prática educativa escolar. Vários autores tratam em seus escritos, à respeito da cultura e a organização social, que são fatores muito importantes para o desenvolvimento e para o aprendizado, e que a leitura e a escrita são habilidades que a criança vai desenvolvendo para compreender, interpretar, expressar e se apropriar dos conhecimentos construídos pela cultura e pela ciência, e como as teorias do conhecimento estão implícita ou explicitamente presentes nos processos de ensino e aprendizagem da leitura e escrita. Diante da necessidade de relacionar teoria e prática na intenção de como trabalhar com a dificuldade ligada ao meio ambiente no qual os alunos se encontram inseridos e, com o objetivo de observar as principais dificuldades de ensinar os alunos a ortografarem – escreverem corretamente, para cada caso. Para esse propósito, buscam-se as perspectivas teóricas, caracterizando alguns conhecimentos ou atividades onde se manifestam como concepções acerca dos processos de ensino e de aprendizagem. Para desenvolver essa pesquisa foram realizadas várias leituras, em um processo de busca através das bibliografias que tratam sobre o tema em discussão. Avalia-se que além de desenvolver a autocrítica tanto no aluno quanto no professor e pais, estimula a encontrar, compreensão e solução para a superação de suas próprias dificuldades, tomando leitores críticos e produtores de texto privilegiados.

 

Palavras- chave 01 – Escola; 02 – Família; 03 - Leitura/Escrito

 

INTRODUÇÃO

A apresentação desta pesquisa busca verificar as condições que a prática da leitura e a escrita dos alunos tornam-se diferentes umas das outras, pois cada um aprende do seu modo e por isso, alguns têm mais facilidade na escola do que outros.

No decorrer da realização do presente trabalho foi realizada pesquisa bibliográfica com autores que tratam da relação leitura-escrita bem como da presença constante de tais práticas no cotidiano, ainda que não seja da leitura acadêmica. A leitura de vida, a leitura do cotidiano fazem parte do estabelecimento e decifração de códigos os mais variados no decorrer da vida de cada um e, foi em busca de compreender tal relação que a presente pesquisa foi levada a termo.

É necessário compreender que os processos biológicos precisam funcionar de forma mais complexa, por que são muitos os desafios e as necessidades que surgem nas interações, mas, também, que a cultura e a organização social são fatores muito importantes para o desenvolvimento e para o aprendizado, sendo que por meio da convivência em um mundo social e culturalmente organizado é que as crianças aprendem a transformar a natureza, a se comunicar, a usar instrumentos sociais, a planejar e avaliar sua maneira de sentir e de agir no mundo.

Assim busca-se aqui a possibilidade do saber que as diferenças existem em sala de aula, mas que é possível superá-las bem como as principais dificuldades em ensinar os alunos  a ortografarem, escreverem corretamente, em cada caso, lendo, compreendendo e interpretando o que leu.

 

REVISÃO LITERÁRIA

É fato que as crianças começam a aprender muito antes de entrar na escola e que essa aprendizagem passa por formas diferentes de entender os conceitos, bem como pela forma como esses conceitos surgem, permanecem ou se transformam na mente da criança. Os alunos expressam esse processo de construção de conceitos, principalmente pela escrita.

A escrita é uma habilidade que a criança vai desenvolvendo para compreender, interpretar, expressar e se apropriar dos conceitos construídos pela cultura e pela ciência.

Mas, a cultura e a organização social são fatores muito importantes para o desenvolvimento e para o aprendizado. O desenvolvimento dos processos internos, da subjetividade e das funções psicológicas acontece principalmente por causa do aprendizado sociocultural.

Mas de que forma isso aconteceu? Como as crianças vão transformando o que aprendem em seu cotidiano em conceitos mais elaborados e mais ampliados.

Segundo Mindé (2000), só as características biológicas não bastam para que se aprenda. Quando se está com outras pessoas e é estabelecida uma comunicação, os processos biológicos precisam funcionar de forma mais complexa, porque são muitos os desafios e as necessidades que surgem nas interações.

É necessário que se entenda qual o significado do que é mostrado, pedido, falado, dado, ensinado. Se existe um contato com outras pessoas, essa comunicação vai forçando o aparecimento de novas formas de perguntar, responder, olhar, pegar, entender o mundo. (MINDÉ: 20000)

É assim, então, que as estruturas mentais vão funcionando de forma mais complexa, á medida que acontece a interação com o contato sociocultural, levando-se em consideração que as condições culturais são muitos importantes para a organização e o funcionamento das funções psicológicas do indivíduo.

Por meio da convivência em um mundo social e culturalmente organizado é que as crianças aprendem a transformar a natureza, a se comunicar, a usar instrumentos, sociais, a planejar e avaliar sua maneira de sentir e de agir no mundo, uma vez que as ações mentais vão se modificando pela aprendizagem da criança nas interações com seu grupo social.

Segundo Mindé (2000), a criança vai construindo ativamente seu conhecimento sobre o mundo  à medida que vai transformando inteiramente o que aprende com as pessoas. Ela vai ampliando suas formas de lidar com o mundo, de compreendê-lo e transformá-lo, de construir significados para suas experiências, de desenvolver sua linguagem e seu pensamento e outras habilidades e capacidades para agir. E tudo isso acontece dentro e fora da escola.

A criança é mergulhada desde muito cedo num mundo de letramento, em que a língua escrita está presente em todo lugar: nos rótulos dos produtos, nos letreiros, no trajeto do ônibus e em muitos outros lugares.

 

A escrita não é produto exclusivo da escola porque ela à, principalmente, uma prática cultural, que os textos estão presentes em vários contactos do nosso dia-a-dia.

E por isso que a criança, antes de entrar na escola, não conhece completamente a língua escrita, que já está presente em  sua vida social. Mas, por outro lado, ela precisa entender a utilização e a função da escrita, para compreender seus usos e valores nas diversas situações sociais que partilha. (MINDÉ: 2000).

 

A escola vai ajudá-la a melhorar seu desempenho nesse uso e aí ela vai produzir a escrita de forma mais competente. A escrita vai então, expressar o pensamento da criança, porque ela terá de pensar sobre o que essa escrita representa. Também vai aprendendo na escola, a forma pela qual terá que organizar esse conjunto de signos para entender muitas outras coisas, tais como a comunicação sem a presença das pessoas, as orientações que são passadas no todo, as novas informações de que precisa, e as histórias.

O conhecimento cotidiano e o científico precisam estar articulados para favorecer o desenvolvimento global da criança. O mesmo vai acontecer com a escrita, que necessita se constituir num ponto de articulação dentro do processo de construção de conceitos e de conhecimento da criança.

Aos professores cabe, não só respeitar a forma da escrita, mas também, trabalhar com o que ela ainda não domina, com informações e conhecimentos que podem estar num nível potencial de desenvolvimento.
Devem-se levar em conta os conhecimentos lingüísticos bem como o conhecimento da língua trazida pela criança para valorizar o que ela já sabe fazer, e também para lhe dar acesso ao mundo organizado da escrita.

 

Quando as pessoas estão aprendendo a escrever, passa por um  processo de desenvolvimento de algumas habilidades. Esse processoprecisa ser conhecido pelo professor para que o ensino da escrita não se torne um treinamento que se dificuldades crescentes ou exercícios de memorização. E que ao entrar na escola e exercitar os processos da  escrita, a criança precisa aprender o significado do que lê e de que forma expressar com a escrita o significado de seu pensamento. (MINDÉ: 2000)

 

A escrita é um processo que se desenvolve na criança e, como tal, tem alguns momentos de transformação que são muito importantes para que ela consolide essa habilidade.

Ao iniciar a escrita, a criança começa fazendo marcas que não tem formas são indiferenciadas. Mais tarde, ela consegue fazer signos para indicar as coisas, os objetos e as situações. Só em um momento mais avançado no desenvolvimento cognitivo é que ela consegue representar simbolicamente o mundo para escrita. Assim, não se pode deixar de lado a idéia de que,

 

“Escrever é, principalmente, um ato do pensamento, uma função cognitiva, pois nele a criança se apropria de um sistema de representação. Por isso, é muito mais importante entender os processos psicológicos e simbólicos que a criança desenvolve quando escreve, do que se preocupar basicamente com sua “prontidão”, com o seu “treinamento” das mãos e dos olhos da criança (desenvolvimento psicomotor, treino de habilidades motoras, de coordenação fina)”. (MINDÉ:2000).

 

Ainda de acordo com Mindé (2000), “à medida que a criança se desenvolve e aprende a entender simbolicamente o mundo, sua escrita também se desenvolve”. A escrita começa a estar já nos desenhos infantis. Muitas vezes, os desenhos são feitos de memórias, sem presença do objeto ou da situação. Nessas ocasiões, o desenho segue a fala da criança, que desenha como se contasse uma história. Ela entende que é possível desenhar não só coisas, mas também a fala! Assim a linguagem verbal vai dando base para a linguagem gráfica, como uma “pré-escrita”. Ou seja,

 

Essa é uma forma de intuitiva e imitativa. A criança tenta imitar o mundo  a partir de suas percepções e lembranças desse mundo. Ele ainda não utiliza os signos para auxiliar a representação de suas idéias, porque ela não tem consciência dessa função dos signos. (MINDÉ: 2000)

 

Mas, conforme a criança se desenvolve nas interações sociais, isso muda. Ela vai aprendendo a fazer desenhos que representam as partes ou o todo dos objetos e das atualizações. Quando seus desenhos começam a ser acompanhados de outros rabiscos, mesmo que eles não tenham significados, ela já está usando um tipo de escrita da memória.

Quando a criança faz um desenho e coloca rabisco “sem sentido”, quando lhes é perguntado o que querem dizer, transforma em palavras ou frases o que desenhou, para ajudar a explicar o desenho. No processo de desenvolvimento da escrita a criança vai utilizando o desenho para ajudar a se lembrar de algo. Desse modo ela vai caminhando para tipos de atividades gráficas diferenciadas: os signos que usam já vão adquirindo significados próprios, em função de seus usos. A forma, o tamanho e a cor dos desenhos começam a ficar diferenciados nesse momento. A criança vai percebendo que, mesmo mudando a forma, o desenho já não é suficiente para representar seu pensamento, pois de acordo com Mindé (2000), “O desenho é o início do processo de escrita da criança”.

A criança passa a perceber que coisas diferentes são escritas de modo diferentes e começa a construir formas de escrita diferenciada. Ela cria alguns critérios para estabelecer essas diferenças na escrita. Esses critérios também passam por um desenvolvimento.

Inicialmente, segundo Mindé (2000), a criança presta atenção à quantidade de letras: depois, ela se preocupa com a relação entre essas letras e os sons que as palavras têm. E é assim que ela vai criando a sua escrita, a partir desses e de outros critérios como: um objeto que é grande deve ter um nome escrito grande, um objeto de que gosta pode ter vários caracteres porque é falado muitas vezes etc. Nessa época, a escrita e a leitura são confrontadas, porque nem sempre o que a criança escreve da para ser lido! O conflito surge porque ela nem sempre escreve a partir de seus critérios que se estabelecem para a leitura.

Ainda de acordo com Mindé, pode-se perceber que a escrita é um processo  psicológico  que  se desenvolve de forma bastante complexa e não pode ser confundido com uma técnica ou um método para treinamento de transição dos códigos sonoros para códigos gráficos.

Então é importante que se conheça o processo de desenvolvimento da escrita na criança, para que sejam escolhidas práticas pedagógicas que não prejudiquem esse processo e nem transformem a aprendizagem da escrita em uma atividade sem sentido para ela. Geralmente, a escola limita a criança a escrever de acordo com uma forma predeterminada, entendida como “correta”. Se o aluno estabelece seus próprios caminhos, sua escrita pode ser considerada “errada” em relação ao que foi estabelecido. A escrita assim pode perder a vida, o dinamismo, a criatividade, comprometendo o desejo de expressão e de comunicação infantil.  A leitura e a escrita são fenômenos cada vez mais complexos, pois são constituídos de uma multiplicidade, de habilidades, comportamentos e conhecimentos.

É possível dizer que são três os principais saberes que um professor precisa construir para realizar seu trabalho: o saber da experiência, o saber do conhecimento e o saber pedagógico.

O saber da experiência é aquele que é construído através da vivência pessoal desde a época em que foi aluno e que permite identificar que professores foram significativos em sua vida, isto é, que contribuíram para sua formação docente.

O saber do conhecimento vem das informações, competências e habilidades específicas para ensinar os ensinar os conteúdos para os alunos.
O saber pedagógico, é caracterizado pela competência de organização e desenvolvimento do trabalho docente quando planeja aas atividades, seleciona os conteúdos, apropria-se de metodologia adequada para que o aluno aprenda e construa conhecimento.

O ensino de Língua Portuguesa tem sido fortemente dirigido para a escrita, chegando mesmo a se preocupar mais com a aparência da escrita do que com o que ela realmente faz e representa, e cultural, mudará seu lugar e seu modo de viver em sua comunidade. Modificará sua relação com seus semelhantes, com seu contexto e com a cultura da sociedade.

A lingüística Mary Kato (1988) reforça quando diz que “Ao aprender a escrever, a criança aprende formas e linguagem, processos da escrita e usos da linguagem. É de se supor, portanto, que quanto maior a vivência com material escrito, tanto maior a facilidade em compreender os usos da linguagem escrita”. (p.15).

A realidade brasileira endossa a necessidade e a importância do aprender a ler e a escrever como garantia para uma participação mais significativa dos alunos na vida social.

A professora Ângela Kleiman (1989) lembra, em seu texto, que “O leitor utiliza na leitura o que já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto” (p.13)

Cada vez que a criança é provocada a ler, escrever, produzir, brincar, ela está sendo desafiada para novas descobertas, tendo oportunidade de explorar o que está à sua volta de diferentes maneiras.

Se a aprendizagem é concebida como um processo de construção de significados e atribuição de sentido, com sua própria dinâmica, com todos os seus progressos e dificuldades, parece ser lógico conceber também o ensino como um processo de ajuda à construção realizada pelos alunos.

Com relação à aprendizagem da língua escrita, é possível verificar que num primeiro momento, a criança (ou adulto em processo de alfabetização), primeiro aprende a ler e depois aprende a escrever o que lê. Aos poucos, a pessoa vai descobrindo e dominando as formas de juntar “letras” para criar palavras e vai conseguindo escrever o que só ouviu (ou pronunciou), e mesmo “inventar” palavras. Mas tudo faz parte da aprendizagem do que foi lido.

Convém lembrar que ler e escrever não são aptidões naturais: são formas de comunicação da língua desenvolvidas em determinadas sociedades e dependem de uma aprendizagem especial. Muitos grupos sociais não têm forma de comunicação escrita, embora todos ouçam e falam.

Segundo Mindé,

 

A aprendizagem da leitura e da escrita é um dos processos mais emocionantes da vida de qualquer um – adulto ou criança.  Estamos tão acostumados a ler e escrever na nossa vida diária, que nem paramos para pensar que nem todos lêem e escrevem como nós, mesmo os que vivem bem próximos. Em muitas famílias de classe social baixa, escrever pode se restringir apenas a assinar o próprio nome ou, no máximo, a redigir listas de palavras e recados curtos. (2000: p. 17)

 

Há diferentes tipos e níveis de letramentos, dependendo das necessidades, das demandas dos indivíduos e de seu meio do contexto social e cultural. A escrita é algo com o que os adultos, estão tão envolvidos que nem se dão conta de como vive alguém que não lê e não escreve, de como a criança encara essas atividades, de como funciona de fato este mundo caótico e complexo, que sempre parece tão familiar e de uso fácil.

Um dos objetivos mais importantes da alfabetização é ensinar a escrever. A escrita é uma atividade nova para a criança, e por isso requer um tratamento especial na alfabetização.

Segundo Cagliari,

 

A escrita de fôrma é muito mais fácil de aprender a reproduzir que a cursiva. Além disso, a escrita de fôrma aparece nos livros (exceto nas cartilhas). A escrita cursiva tem um uso muito particular, individual mesmo nos dias de hoje. É de difícil leitura e exige um domínio perfeito que representa um esforço muito grande por parte das crianças, que nem sequer conseguem segurar o lápis e controlá-lo com facilidade. Alguns professores fazem muita questão de enfatizar o uso da escrita cursiva e esquecem-se de verificar o que a escrita representa para a criança. É preciso ouvir das crianças o que é escrever, para que serve a escrita, valorizando as opiniões que cada uma possa apresentar. (1993)

 

A leitura e a escrita são atos individuais, mas que têm um caráter sociocultural. Tanto a leitura quanto a produção de textos, não são processos simples realizados só pelo leitor ou só pelo escritor, mas pressupõe uma transação entre o leitor, escritor e o texto.

Segundo Soares (1988, p. 18), “Ler é uma interação verbal entre indivíduos socialmente determinados: o leitor e o autor, cada um com seu universo, seu lugar na sociedade, suas relações com o mundo e com os outros.”

A leitura não é só um meio para interagir com os semelhantes e com as formas de cultura da sociedade, mas também uma forma de o homem se tornar mais consciente, através do conhecimento, compreensão e da interpretação do mundo em que vive.

Escrever é, então, um processo social, histórico e cultural que envolve o autor e o leitor, com sua história, sua cultura, sua linguagem. É, portanto, uma atividade de interação verbal, que tem formas e funções diferentes, dependendo das interações do autor.

O escritor por sua vez, ao escrever, utiliza-se de sua experiência, conhecimentos e linguagens, que espera seja comum ao seu leitor, para passar as significações desejadas. Assim, ler e escrever são processos que interagem e se inter-relacionam na troca de significados.

Segundo Mindé e Ramos,

 

O autor é uma forma de comunicação através do tempo e do espaço.  Nele, o emissor-escritor não tem face a face o seu leitor. Em alguns casos, nem sequer o conhece. Mas esse receptor tem características históricas, lingüísticas, sociais e culturais que tem pontos comuns com as do emissor, de modo a tornar a interação possível, com maior ou menor facilidade, segundo a proximidade entre eles, o assunto  e o contexto. (1999)

 

O professor, na sala de aula, é um mediador especial entre o escritor-autor e o leitor-aluno, devendo, em sua prática, utilizar todos os tipos de comunicação verbal e não-verbal para a construção dos hábitos de ler e escrever dos alunos. Ele não pode se esquecer de que ler e escrever são parte importante do processo de socialização dos alunos, pois faz parte do cotidiano deles.

O aluno “lê” e “escreve” desde a hora em que acorda até a hora em que vai dormir.  Lê por exemplo, a marca da pasta de dente, do sabonete, do café e do leite que toma. Lêem placas, avisos, anúncios, direção do ônibus. Enfim, o aluno lê tudo isso durante todo o dia, sem estar “estudando leitura”.

Por outro lado, ele escreve bilhetes, avisos, recados telefônicos, lista de atividades, lembretes, para seus pais ou irmãos, tudo isso sem estar preocupado com a “escrita” tal como é ensinada na escola.

Segundo Ivan Ângelo,

 

Ler é um ato libertador. Quanto mais vontade consciente de liberdade, maior índice de leitura. Um dos efeitos da leitura é o aprimoramento da linguagem, da expressão, nos níveis individual e coletivo.  Uma sociedade que sabe se expressar sabe dizer o que é menos manobrável. (17/08/1981)

 

A leitura é vista como uma forma de libertação do homem, pois, à medida que ele vai descobrindo e desvendando o mundo, através da leitura, tem melhoras condições de discutir e propor idéias ou discordar delas, com mais segurança e liberdade.

É na escola que o aluno vai aprender métodos e técnicas de leitura e de escrita mais formais para facilitar sua comunicação e interação no seu meio sociocultural. É, sobretudo na escola que ele aprende a usar as formas da linguagem padrão, e ainda, a organizar suas idéias, sua imaginação e seus sentimentos.    

Ao chegar à escola, a criança encontra também algum tipo de escrita, desde a entrada até a sala de aula, o nome da escola, alguns cartazes, avisos, informações nos corredores, frases rabiscadas nas paredes.

O sistema alfabético é um sistema convencional de representação gráfica, sendo um conjunto de letras e sinais usados quando se escreve e que foi estabelecido por acordo social, através dos tempos.

Devido a tais fatos, pode-se pensar que,

 

...a escrita deve ter significado para as crianças, uma necessidade intrínseca deve ser despertadas nelas e a escrita deve ser incorporada a uma tarefa necessária e relevante para a vida. Só então poderemos estar certos de que ela se desenvolverá não como hábitos de mãos e dedos, mas como forma nova e complexa da linguagem.

 

O domínio da escrita é fator que colabora para a formação de cidadãos conscientes e autônomos que, pelo acesso ao saber acumulado, podem criar seu próprio conhecimento. Quanto  mais  se  conhece e analisa a língua, a chamada língua viva, falada no cotidiano, mais se compreende que o que é para muitos considerado “erro”, na verdade, é produto dos processos normais pelos quais as línguas passam à medida que se desenvolvem.

É importante permitir que a criança faça tentativas, experimentações e descobertas próprias, que faça e desfaça suas produções, em função de novas hipóteses que ela vai construindo sobre a escrita.

É preciso considerar todas as possibilidades educativas que se fazem presentes nas situações de investigação que a criança faz da linguagem escrita, tanto na escola quanto fora dela. E o professor é peça chave ao evidenciar a função da escrita para o desenvolvimento global da criança. O mundo da escrita deve vir para a sala de aula, principalmente através de situações que mostrem sua função e seu uso no contexto sociocultural. Essa introdução pode ser feita de diversas formas, pois sabe-se que, quanto mais variadas forem as atividades planejada, mais se é incentivado a criar.

Segundo Mindé,

 

O importante é entender que a escrita faz parte do processo de apropriação, da cultura que a criança desenvolve dentro e fora da escola. Portanto a função do professor é desenvolver sua utilização para que a criança compreenda o mundo e expressar seu pensamento. (2000: p. 11)

 

A escrita é o produto mais desenvolvido da abstração da linguagem, pois não conta com quase nenhum elemento extra verbal (gestos, mímica etc.) e, surgiu a partir do momento em que as relações sociais de trabalho se tornaram mais complexas.

Porém, os que vivem num meio social onde se lêem jornais, revistas, livros, onde os adultos escrevem freqüentemente e as crianças desde cedo, tem seu estojo cheio de lápis, caneta, borrachas, réguas, etc.; acham muito naturais o que a escola faz, porque na verdade, representa uma continuação do que faziam e esperavam que a escola fizesse.

A professora Kleiman (1989: p. 13) lembra que “O leitor utiliza na leitura o que já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto”.  Cada vez que a criança é provocada a ler, escrever, produzir, brincar,  ela está sendo desafiada para novas descobertas, tendo oportunidades de explorar o que está à sua volta de diferentes maneiras.

Se a aprendizagem é concebida como um processo de construção de significados e atribuição de sentido, com sua própria dinâmica, com todos os seus progressos e dificuldade, parece lógico conhecer também o ensino como um processo de ajuda à construção realizada pelos alunos.

Segundo Paulo Freire,

 

A leitura do mundo precede da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquela. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. (1985: p. 11-12)

 

Uma compreensão crítica do ato de ler à tradução dos significados das palavras e até ao desenvolvimento do que se oculta “por trás” delas.

Embora viva-se o século da informação através da imagem (uma imagem vale mais que mil palavras), é inegável a importância e a necessidade da leitura, pois, além de desempenhar suas funções informativas e recreativas, a transmissão da História, da Cultura e da Ciência, ainda hoje, faz-se através da linguagem escrita.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Língua Portuguesa,

 

a leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua. Não se trata simplesmente de extrair da escrita, decodificando-a letra por letra, palavra por palavra. Trata de uma atividade que implica, necessariamente, compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita. O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura que não se deve a ler por meio de práticas centradas na decodificação. Ao contrário, é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam. É preciso que antecipem que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuam que verifiquem suas posições. De certa forma, é preciso agir como se o aluno já soubesse aquilo que deve aprender. Para aprender a ler, portanto, é preciso interagir com a diversidade de textos escritos, testemunharem a utilização que os já leitores fazem deles e participar de atos de leitura de fato; é preciso negociar o conhecimento que já se tem e que é apresentado pelo texto, o que já está diante dos olhos, recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes. (p. 53, 55 e 56).

 

Segundo Lajolo (1985), na prática de leitura de textos, há que se considerar, primeiramente, que a leitura é um processo de interlocução entre leitor/autor, mediado pelo texto e, ainda, que o ato de ler não é um decifrar como um jogo de adivinhações o sentido de um texto.

É, a partir de um texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir relacioná-lo a outros textos significativos para cada um, reconhecer ele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono de sua própria vontade, entregar-se a esta leitura ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista.

A leitura de diferentes tipos de texto com o objetivo de ensinar a ler é chamada de leitura básica. Deve ser uma verdadeira exploração do texto, descobrindo o que o autor disse, sem parar por aí, faze uma aplicação da leitura, ou seja, utilizá-las em outros horários com novas finalidades. O desenvolvimento acontece dentro de um processo de interação construtiva entre seus participantes, professores e alunos, através de atividades exploradas.

Na história da escrita, optou-se por dois caminhos a seguir, quando se falava em escrita como registros de sons: o primeiro, ideográfico: representar o significado, veiculado pelas palavras e, a partir do conhecimento desse significado, chegar-se aos sons, que possibilitam leitura – parte-se da representação das idéias vinculadas pelas palavras (orais) para depois se chegar aos sons; um exemplo são placas de trânsito. No segundo, fotográfico: representar os sons de uma palavra e, o partir do reconhecimento desses sons, chegarem ao significado da palavra e a suas associações de idéias – representa a linguagem, partindo da representação de seus sons pode ser silábica, consonantal, fonética e ortográfica. Nossa escrita é ortográfica. (NÁDERC 1992: p. 28).

Portanto, escrever ortograficamente significa obedecer a uma única forma das palavras naquela língua, independentemente de quantas forem as formas de pronunciar a mesma palavra e, isso diz respeito à variação lingüística, em nível regional e em nível social.

Segundo Neder, a área de linguagem, no 1º grau, deve englobar todas as formas de linguagem, tanto é assim que não se deve dissociar educação física e educação artística de linguagem. Procurando, então colaborar para com essas reflexões, procurou-se apresentar a linguagem não verbal do ponto de vista de sua emissão (o olhar, o soar, o gesticular, o sorrir) e de sua recepção (o ouvir, o ver), enfim o ler.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acredita-se que para construir uma auto-imagem positiva nos alunos, a aquisição da leitura e da escrita constitui sua meta mais importante.

Porque uma auto-estima alta é fundamental para a aprendizagem afetiva! Seja qual for o conceito, ou conteúdo que for ensinar, ele certamente não valerá muito se não acredita que os alunos possam aprendê-lo. Pois cada aluno tem uma contribuição a dar, e que ela é muito importante para o processo da leitura e escrita de todos. Sabe-se que os alunos são diferentes uns dos outros, cada um traz uma história vida, cada um tem sua especificidade enquanto ser humano. E sabe-se que cada criança tem uma forma diferente de aprender, e por isso não pode haver uma única forma de ensinar.

Assim, é necessário buscar e, encontrar, em cada aluno, suas qualidades positivas e promover o seu desenvolvimento tanto na leitura quanto na escrita.

E, a partir daí, buscas novas metodologias, novas formas de agir em sala de aula, criar e recriar o conhecimento com o aluno, aproveitamento o conhecimento que lhe traz enfim, fazendo da classe docente como agente e proporcionador de espaços de construção. Tanto de conhecimento quanto de pessoas.

Não se trata de procurar culpados, mas de entender as condições de trabalho e de formação do professor para entender a qualidade de sua relação com os alunos. Não só em termos de competência técnicas, mais principalmente em termos do vínculo afetivo que se empenha em estabelecer.

Deve-se voltar para a prática escolar cotidiana, carregada de crenças e valores. É preciso rever crenças e valores e refletir sobre o trabalho educacional. E analisar as conseqüências sociais de atitudes, principalmente porque se sabe que o fracasso escolar impede que a criança faça parte do mundo letrado, passo importante para a cidadania. E mais: sabe-se que as crianças têm desempenhos diferentes.

Com o objetivo de tentar trabalhar alguns conceitos que se julgam fundamentais em prática de professor de linguagem e, com a pesquisa nota-se que o importante nas aulas de linguagens é ensejar aos alunos condições para que tornem leitores críticos e produtores de textos privilegiados.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIAS

ÂNGELO, Ivan. 1981
CAGLIARI. 1993
Guia de estudo/coordenado por Mindé Baday de Menezes, Wilsa, Maria Ramos – Brasília: Mec Fundescola, 1988.
KATO, Mary. 1998.
KLEIMAN, Ângela. 1989.  
LAJOLO, Marisa. O texto não é um pretexto. In: Leitura em Crise a Escola. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.
NEDER, Maria Lúcia Cavalli. Ensino de Linguagem: a configuração de um drama. Dissertação de Mestrado. Cuiabá, UFMT. 1992.
Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs. Língua Portuguesa. Brasília, Mec, 1987.
FREIRE, Paulo. 1985.
POSSARI/NEDER – Lucia Helena Venebúsculo, Maria Lúcia Cavalli. Fascículo 3, 4, ed. 4. Cuiabá. EDUF-MT, 2006.
Soares, M. B., 1968.
VYGOTSKY, L. S. A. Formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes.

 

AGRADECIMENTOS

Àquele cuja presença é fundamental em nossas vidas: DEUS.
A conclusão da presente pós-graduação só foi possível porque tínhamos em quem nos ampararmos para não desanimar: nossa família.

 

 

Regina Pereira da Silva Sversuti - Discente do Curso de Pós-Graduação Psicopedagogia Clínica e Educacional
Sandra  Maria  Novais   Sversuti - Discente do Curso de Pós-Graduação Psicopedagogia Clínica e Educacional

Profº José Olímpio dos Santos - Professor Doutorando e Coordenador do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu: Psicopedagogia Clínica e Educacional

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